O Brasil tomou uma decisão normal. Quando nós éramos normais também tomávamos decisões normais, daquelas que nos protegiam, para não sermos comidos ou devorados. No entanto por aqui tomam-se principios adoptados há mais de duzentos anos como dogmas, neste caso concreto o principio da vantagem comparativa, invocado em Inglaterra antes de 1800 por um economista luso-descendente de nome Ricardo, que se pôs a fazer umas contas aos custos de produção do vinho em Portugal e de têxteis em Inglaterra. Entre outras coisas, chegou á conclusão que era mais vantajoso produzirmos nós por aqui o vinho e exportar o dito!!!
É obvio que se trata de principio válido no entanto não é o dogma que nos querem impôr, aplicável a tudo e todos de forma generalizada. Os países normais como o Brasil sabem disso, e não abdicam da arma tradicional de auto-defesa em guerras comerciais: a Pauta Aduaneira. É uma arma válida e legítima, para ser usada quando faz falta. Por aqui, anda tudo muito alarmado com o défice da balança comercial, e proliferam as discussões teóricas sobre as panaceias possíveis, sem no entanto se lembrarem de olhar para o raio da pauta e estudarem onde e como podem (por enquanto) considerar a sua utilização para tentar equilibrar as contas.
Aquele por enquanto entre parenteses tem a sua razão de ser: é que neste momento ainda temos poder sobre a nossa Pauta Aduaneira, no entanto, se o Tratado de Lisboa for ratificado esse poder de decisão é posto nas mãos da Comissão Europeia, que não defende própriamente os nossos interesses. As pessoas por vezes esquecem-se que ainda não vivemos nos Estados Unidos da Europa, vivemos sim um processo de integração Europeia.
A resistência de alguns europeus ao dito tratado não tem na sua maioria a ver com anti-europeísmo, mas antes com sobrevivência, É precisamente o oposto, nós somos europeístas (falo por mim) no entanto gostava de me sentar á mesa com o Alemães, Franceses, etc para acabarmos de vez com o raio da integração europeia e fazermos um único país, com uma economia verdadeiramente comum e um único governo.
A NORMALIDADE:
Brasília, 10 Set (Lusa) — O Brasil fixou sexta-feira e por um prazo de cinco anos uma sobretaxa de 12,47 dólares por cada par de sapatos importados da China e de 0,75 dólares por cada quilo de pneus proveniente daquele país asiático.
A Câmara de Comércio Exterior, numa decisão anunciada quarta-feira pelo jornal oficial da União indicou que a medida foi tomada como uma prática anti-dumping destinada a proteger os mercados internos da concorrência desde o exterior.
As novas tarifas adicionais entraram imediatamente em vigor e segundo o Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior, a decisão foi fruto de uma investigação sobre a importação daqueles artigos efectuada pelo departamento de Defesa Comercial.
O estudo indicou que entre 2003 e 2007 as importações de calçado da China aumentaram 549 por cento ao mesmo tempo que a produção nacional diminuiu 28 por cento.
No caso dos sapatos, foram excluídas sobretaxas para sandálias de praia, pantufas, sapatos de dança e calçado desportivo.
As associações de produtores de calçado e de pneus tinham apresentado em 2008 protestos formais ao Governo brasileiro para que tomassem medidas de protecção de mercado interno nesses artigos.
O Bin Laden não achou piada ao apoio do Aznar ao Bush. Vai daí, decidiu vingar-se, e naquele dia 11 de Março mandou pôr umas bombas nos suburbanos de Madrid matando quase 200 pessoas. As vítimas, essas pessoas, foram meros peões naquele jogo, simples mexilhões apanhados por mar furioso a bater com força na rocha…
O Cébrian, embora diga que a decisão partiu aqui do Bairrão, é obviamente o Bin Laden desta história. É natural que o homem não tenha achado piada quando o Pinto de Sousa (o nosso primeiro) impediu a PT de concluir o negócio que já tinha alinhavado com ele, e vai daí, decidiu montar o seu pequeno 11 de Março. No entanto, não tem a habilidade do Bin nestas coisas nem a situação se prestava exactamente ao timing mais oportuno para fazer o maior estrago possível; a Manuela não meteu baixa nem licença sem vencimento e ia voltar ao trabalho na passada sexta feira. O Cébrian não teve outra opção, ou avançava antes de sexta ou se ficava e desistia do seu atentado de pseudo-terrorismo eleitoral.
Como todos sabem, decidiu avançar…
O Laden escolheu a sua data meticulosamente, escassos dias antes da votação e fez muito mais estragos do que pensava, pois teve um bónus inesperado: a desonestidade e falta de inteligência do governo de Aznar que não cedeu á tentação de tentar falsear a realidade e transformar um atentado da Al Qaeda num atentado da ETA. Foi uma jogada de Aznar (muito) arriscada que rapidamente se virou contra ele, numa era de Internet e SMS é cada vez mais arriscado tentar manipular a informação. O desfecho foi aquele que todos conhecem, perdeu as eleições.
O Cébrian está neste momento á espera para ver “que pasa”, é possível que vá ainda ter um bónus. O nosso primeiro, para já, devia ter ficado calado e não ficou, pelo que lhe restam ainda mais de vinte dias para tentar travestir a situação, expressão que lhe é cara. Parece contudo não ter percebido que é daquelas situações que quanto mais lhe mexe mais se enterra. Devia aconselhar-se com o Villarezinho, que tem mais experiencia e é bastante mais habilidoso nestas coisas, talvez conseguisse minimizar os estragos.
Nós tugas, talvez tenhamos no meio disto alguma sorte, pois o Pinto de Sousa parece partilhar com o Aznar aquelas mesmas qualidades que o conduziram ao descalabro eleitoral, pelo que nos resta esperar que o homem siga igual a si mesmo até dia 27 para lhe darmos a despedida que merece. Pessoalmente, penso que esta decisão com este timing foi orquestrada precisamente de dentro do PS, muito provavelmente pelo Costa, que se auto-convenceu que há-de chegar a primeiro-ministro e que tem contactos internacionais a um nível que lhe permite chegar á Prisa.
O PS há muito que deixou de ser um partido político (vide o livro “Contos Proibidos” de Rui Mateus, edição da D. Quixote, ou na Internet basta procurar com o Google), e passou a ser um ninho de víboras (desculpe-me o nosso primeiro a expressão mas foi aquela que vexa utilizou quando se referia aos blogs), pelo que o passado recente mostrou que os ataques deste calibre têm vindo precisamente de dentro e não de fora, o P. Sousa está apenas a colher as tempestades dos ventos que semeou.
Quanto á Manuela Moura Guedes, faz o seu trabalho de forma louvável. Sou seu admirador desde os tempos das idas á Bela Vista (ou praia do Rei, já não me lembro bem) e confesso que gosto do estilo, tem o grande mérito de não se apresentar alinhada com o regime (coisa de que alguns supostos contestatários tipo Marinho Pinto não se podem gabar), é apenas lamentável que a não deixem desenvolver estes temas com mais profundidade.
Contrariamente a outro dos pseudo-contestatários do regime, o M.S.Tavares, que teve o descaramento de escrever no Expresso há semanas atrás a propósito do Freeport que “pelo facto de andar a observar a nossa classe política há mais de 15 ou 20 anos não acreditar que o PM tivesse cometido qualquer ilegalidade”, eu testemunho precisamente o contrário, como e onde roubam, todos os dias e de forma impune e despudorada.
Devo viver noutro país, certamente acometido de uma qualquer nova variante de esquizofrenia lusitana do século XXI…
Se olharmos para um blog como um filme, com principio, meio e fim, então tambem tem direito a um ou outro intervalo para o publico descansar. O intervalo hoje é preenchido com anúncios culturais, sendo o primeiro sobre a exposição da Rosa, uma portuguesa de 22 anos com trabalhos expostos em Cascais até 5 de Julho:
e o segundo é duma catalã de 52 anos, a Sabala.
São estilos diferentes mas têm em comum a visão crítica do ser humano,
a julgar pela forma como nos retratam e que a mim me diverte qb:
Acerca da actual crise, li algures recentemente que a maior dificuldade seria percebermos se estamos a viver um drama ou uma tragédia. Elucidava-nos o autor quanto á diferença entre as duas situações: no drama, os actores ainda são senhores do seu destino, podem através de acções e atitudes alterar o desfecho das coisas. Na tragédia, já não. Os personagens assistem impotentes ao desenrolar dos eventos que os vão conduzindo ao descalabro final.
Há meia dúzia de maduros que ainda acreditam que se trata apenas de um drama, e, entre outras coisas, dedicam-se a isto, escrever umas coisas nuns blogs.
Como tal, seja drama ou tragedia, o melhor é tentar levar as coisas com boa disposição apesar da seriedade das mesmas. Para isso, fica aqui uma explicação de alto nível de dois peritos ingleses explicando como se chegou á actual crise financeira:
O drama, para já, é perceber que estes dois comediantes têm razão, o que reduz os actuais banqueiros e políticos que sancionam o seu comportamento á sua verdadeira dimensão: a de comediantes e pantomineiros.
Recentemente, começaram timidamente a surgir referências nos media á raiz do verdadeiro problema de Portugal hoje em dia, o qual pura e simplesmente reside na “desgraduação” social de que fomos e continuamos a ser alvo: na actualidade, dificilmente se pode considerar a Republica Portuguesa um Estado de Direito. Daí, assistirmos a esta coisa fantástica em que que toda a gente deve já ter reparado: a cada vez mais frequente concordância de posições em temas específicos entre o CDS e o PC, por ex. ou entre o BE e o PPD, o que aparentemente é contraditório.
As tais referências a que me reporto acima consistem numa ou outra menção a uma plutocracia (uma sociedade governada pelos ricos), a qual no entanto não me parece a mais exacta. Em rigor, estamos mais numa cleptocracia, assim definida na Wikipédia:
A palavra Cleptocracia, de origem grega, significa literalmente “Estado governado por ladrões”. A cleptocracia ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis e que conseguem transformar esse poder político em valor económico, por diversos modos.
O Estado passa a funcionar como uma máquina de extração de renda ilegal da sociedade, isto é, da população como um todo, em contraposição à máquina de extração de renda legal, o sistema fiscal.
Lamentavelmente. apesar do nosso suposto progresso civilizacional a mioria dos Estados tendem a tornar-se “cleptocracias” se não ocorrer um combate real pelos cidadãos, em sociedade. A transição “cleptocrática” do Estado ocorre quando a maior parte de sistema público governamental é capturado por pessoas que praticam corrupção política. “
Ou seja, um Estado de Direito tem requisitos básicos que deixámos de ter. Até que se recuperem, na AR não se discute política, discutem-se outras coisas.Infelizmente, os sintomas não são de melhoras:
- o PR dá o seu consentimento tácito através desta sua não-atitude perante os problemas, deu-se até ao luxo de ofender os cidadãos com a postura pública que assumiu perante o artista Dias Loureiro.
- o PS está nas mãos de 25.000 pessoas, o maior mistério da história contemporânea do país. Num partido com 80 ou 90 mil militantes, só 25.000 votam, massivamente, numa direcção e num sistema em que se acotovelam na bicha para um lugar que lhes permita participar no saque. Os outros 50 ou 60 mil, a maioria, fazem o quê ?
Como é evidente, isto não pode dar bom resultado, trata-se de fórmula que não funciona, nem todos têm lugar, feitio ou estômago para este tipo de atitude e para esta forma de estar na vida.
Na próxima semana reúnem-se em Londres os lideres do G20, numa Cimeira que deverá tomar decisões importantes. Dada a gravidade da situação, o LEAP (Frank Biancheri e a sua equipa) decidiram apresentar uma carta aberta, de que se transcreve aqui uma tradução para português:
QT
Minhas senhoras e meus senhores,
Resta-vos menos de um semestre para evitar que o planeta mergulhe numa crise, da qual levará mais de um decénio a sair, com um terrível cortejo de desgraças e de sofrimento. Esta carta aberta do LEAP/E2020, o qual desde Fevereiro de2006 tinha anunciado a iminência duma« crise sistémica global», pretende dar-vos uma indicação resumida das razões pelas quais isto está a acontecer e como evitar esta sequência de acontecimentos.
Com efeito, se foi há menos de um ano que V. Exas. começarama desconfiar da amplitude da crise, foi desde Fevereiro de 2006, no 2º número da sua newsletter « Global Europe Anticipation Bulletin » (GEAB), que o LEAP/E2020 anunciou que o mundo entrava na « fase de desencadeamento » duma crise de amplitude histórica. Desde esta data, o LEAP/E2020 continuou a antecipar mensalmente, de forma bastante fiável, os aspectos de evolução da crise com que o mundo actualmente se confronta. É isto que nos leva a escrever-vos esta carta aberta, que esperamos possa contribuir para iluminar as escolhas que terão que ser feitas por esse grupo de responsáveis daqui a poucos dias.
E a crise agrava-se de forma perigosa. Recentemente, quando saiu a 32ª edição do nosso boletim, o LEAP/E2020 lançou um alerta muito importante, que vos diz directamente respeito, enquanto dirigentes do G20: se, na vossa reunião em Londres no próximo dia 2 de Abril, não forem capazes de adoptar decisões audaciosas e inovadoras concentrando-vos no essencial, e empreender a sua implementação até ao Verão de 2009, então por volta do final do ano a crise entrará na sua fase de « deslocalização geopolítica generalizada », a qual afectará tanto o sistema internacional como a própria estrutura das grandes entidades políticas como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou a própria União Europeia. Numa tal circunstancia, vocês perderão qualquer controle sobre a situação, para desgraça de mais de seis biliões de habitantes do nosso planeta.
A vossa escolha:
-uma crise de 3 a 5 anos ou uma crise de mais de uma década ?
Infelizmente, como até á data nada vos preparou para enfrentar uma crise de tal dimensão histórica,V. Exas. ocuparam-se apenas dos sintomas ou das causas secundárias. Pensaram que seria suficiente adicionar gasolina ou um pouco mais de óleo ao motor mundial, sem se darem conta que o dito motor estava simplesmente gripado, sem esperança de reparação. O que faz falta é construir um novo motor. E o tempo urge, pois a cada mês que passa, o conjunto do sistema internacional deteriora-se um pouco mais.
Como em qualquer crise maior, é necessário intervir no essencial. Como em qualquer crise de dimensão histórica, a única escolha reside entre tomar rapidamente medidas radicais de mudança para encurtar significativamente a sua duração e as suas consequências trágicas; ou, em alternativa, recusar as mudanças radicais tentando salvaguardar o que existe, apenas conseguindo prolongar a sua duraçãoe as suas consequências negativas. Em Londres, no próximo 2 deAbril, terão a oportunidade de escolher entre uma resolução da crise em 3 a 5 anos de forma organizada; ou, ao contrário, arrastar o planeta para uma década terrível.
Como tal, metemos o nosso empenho em apresentar três conselhos que consideramos estratégicos, ou seja, que o LEAP/E2020 entende que se não forem postos em prática até ao próximo Verão, a deslocalização geopolítica mundial tornar-se-á inevitável a partir do final deste ano.
OS 3 CONSELHOS DO LEAP/E2020
1. A chave da crise, é a criação de uma nova divisa internacional de referencia !
O primeiro conselho resume-se a uma ideia muito simples : a chave da crise actual está na reforma do sistema monetário internacional, herdadoda situação pós guerra de 1945,cuja finalidade era criar uma nova divisa internacional de referencia. O Dólar americano e a economia dos Estados Unidos já não apresentam condições para serem os pilares da ordem económica, financeira e monetária mundial. Enquanto este problema estratégico não for directamente abordado, e consequentemente tratado, a crise ir-se-á aprofundando, pois é o que está na raíz das crises dos produtos financeiros derivados, dos bancos, dos preços da energia, … e das suas consequências em termos de desemprego massivo e do abaixamento dos níveis de vida. É portanto vital que esta questão seja o objeto principal da Cimeirado G20 de Londres e que os primeiros dados para a solução aí sejam lançados. Por outro lado, asolução para este problema é sobejamente conhecida: trata-se de criar uma divisa de referencia internacional (que se poderia chamar o « Global ») fundada num painel de moedas que correspondem as principais economias do planeta, a saber :
o Dolar EUA, o Euro, o Yen, o Yuan, o Khaleel (moeda comum dos estados pétroliferos du Golfo,a ser lançada no 1° Janeiro de 2010), o Rublo, o Real, … . e estabelecer a gestão desta divisa por um « Instituto Monetário Mundial », cujo Conselho de Administração reflicta os pesos respectivos das moedas integrantes do « Global ». Vocês deverão solicitar ao FMI e aos bancos centrais envolvidos no processo que preparem um tal plano para Junho de 2009, com o objectivo de ser posto em prática no 1° Janeiro de2010. É o único meio de que dispõe para retomarem a iniciativa sobre o desenrolar da crise. E é o único meio de concretizar a implementação duma globalização partilhada, partilhando a moeda no coração de toda a actividade económicae financeira.
De acordo com o LEAP/E2020, se uma tal alternativa aosistema actual em pleno colapso, não for iniciada até ao próximo Verão, demonstrando a existência duma via alternativa ao« cada um por si », o actual sistema monetário internacional não passará do Verão. E mesmo que alguns Estados do G20 pensem que vale mais defender ao máximo a extensão temporal dos privilégios que lhes são conferidos pelo actual “statu quo”, deveriam meditar no poder que ainda detêm de influenciar de forma decisiva o modelo que assumirá este novo sistema monetário mundial. O reverso da medalha será que, uma vez iniciada a fase de deslocalização geopolítica, estes Estados perderão qualquer controle sobre o processo.
Controlem o conjunto dos bancos com a máxima urgência!
O segundo conselho, foi já amplamente referido nas reuniões preparatórias da Cimeira. Como tal, seria avisado adoptá-lo. Trata-se de implementar até ao fim do ano um sistema de controle dos bancos à escala mundial, que eliminetodos os « buracos negros ». Várias opções foram já propostas por diversos peritos. Separem desde já o que se mostrar necessário. Nacionalizem rapidamente quando tal for indispensável ! Será a única forma de acautelar um novo endividamento massivo dos estabelecimentos financeiros, como aquele que contribuiu para a actual crise; e de mostrar ás opiniões publicas que vocês são credíveis quando confrontados com os banqueiros.
3. Promovam com urgência uma avaliação pelo FMI dos sistemas financeiros dos EUA, britânico e suíço !
O terceiro conselho toca de novo numa questão de grande sensibilidade política, a qual é contudo incontornável. É indispensável que o FMI apresente ao G20, o mais tardar em Julho 2009, uma avaliação independente dos três sistemas financeiros nacionais que estão na origem da crise financeira : os dos Estados-Unidos, do Reino-Unido e o Suiço. Nenhuma solução duradoira poderá ter eficácia enquanto não se tiver uma ideia precisa dos estragos causados pela crise nestes três pilares do sistema financeiro mundial. Por outro lado, há já muito que passou o tempo de tratar com cerimónia países que estão na raiz do caos do actual sistema financeiro.
Escrevam um comunicado simples e breve!
Para terminar, queremos apenas lembrar que V.Exas. têm neste momento que restaurar a confiança de cerca de 6 biliões de pessoas, e de dezenas de milhões de instituições publicas e privadas. Como tal, não se esqueçam de redigir um comunicado curto, que não passe de duas páginas, que não inclua mais que três ou quatro ideias centrais e que seja acessível a leigos. Se assim não for, não será lido fora do reduzido circulo de especialistas, e como tal não poderão vcs. ressuscitar a confiançada maioria, condenando assim a crise a agravar-se. Se esta carta aberta contribuir para uma tomada de consciência da vossa parte no sentido de entenderem que a Historia vos julgará pelos vossos actos e omissões na Cimeira, então ela não terá sido em vão. Saibam simplesmente, que no entender do LEAP/E2020, os vossos respectivos povos não esperarão mais de um ano para vos julgar. Uma coisa é no entanto certa : desta vez não poderão alegar que não foram avisados com antecedência !
Franck Biancheri
Director de Estudos do LEAP/E2020
Presidente de Newropeans
UNQT
exceptuando alguns, que são mesmo malandros, há líderes mundiais que fazem lembrar o noivo deste videoclip (pela atitude, não pela pinta, entenda-se…):
Já desde há algum tempo que costumo brincar com este processo de integração europeia que nos querem impingir:
-“ Para Portugal, faria mais sentido numa perspectiva de futuro tornar-se uma filial do Brasil ou de Angola, do que entrar para uma CEE que nos pretende limitar a um papel de estancia de férias da Europa e pouco mais “.
Obviamente, isto tem sido dito meio a sério meio a brincar, pois o balanço é e será positivo desde que se governe, incluindo nessa governação a negociação do nosso papel na União Europeia, não numa perspectiva de meninos bem comportados, mas antes de exigência e negociação séria da nossa posição na Europa.
Eis senão quando, é publicado hoje o último relatório do grupo do Biancheri, um think-thank europeu com uma taxa de cerca de 80% de previsões económico-sociais certas nos últimos dois anos.
O 1º paragrafo da introdução começa assim:
Para nós, as alternativas que se apresentam aos dirigentes do G20 na reunião de Londres no próximo dia 2 de Abril são duas: reconstruir um novo sistema monetário internacional que permita um novo jogo global que integre equitativamente todos os principais agentes mundiais e reduza a crise uma duração de três a cinco anos; ou tentar prolongar o sistema actual, submergindo o mundo a partir de finais de 2009 numa trágica crise de mais de uma década.
Mais adiante, entre diversos cenários possíveis, refere o seguinte:
“Abril de 2010/Abril de 2014: Maior escassez de alimentos, medicamentos, sobressalentes, energia, … em muitas regiões do mundo / Diminuição de 30% do PIB dos EUA e de 50% do nível de vida, comparado com 2008 / Aumento das matanças colectivas nos Estados Unidos numa conjuntura de desemprego, privações e deterioração de todo o sistema público de saúde, forças de manutenção da ordem, educação, etc. ) / Erosão crescente da fronteira sul do país por efeito da actuação dos cartéis da droga e das reivindicações latinas / Maior risco dum conflito secessionista e tentação militarista omnipresente em Washington / As tropas dos EUA abandonam a Europa: a NATO passa a ser a Aliança Euro-Estadounidense incluindo a Rússia / Guerra civil generalizada na Colômbia / Criação da União Sul-americana por iniciativa do Brasil, Venezuela, Peru e Argentina / Estado de emergência na Rússia para manter a sua integridade territorial, especialmente no sul e leste / Escisão da Ucrânia /Êxodo massivo de refugiados económicos de África para a Europa / Redução de 20% do nível de vida médio na U.E. / Golpes de Estado islâmicos no Paquistão, Marrocos… inclusive nas petro-monarquias/ Israel em plena crise económica ataca as instalações nucleares iranianas / A falta de investimento decorrente das crises regionais, colapso da capacidade de produção mundial de petróleo / Maioria de extrema direita nas eleições europeias de 2014 com o lema « Europa para os europeus » / China, Japão, Coreia do Sulpaíses da ASEAN anunciam a criação da União asiática / Taiwan aceita a sua integração na República Popular da China / A União asiática assina um acordo preferencial com os Estados da costa ocidental dos Estados Unidos”.
Note-se que este cenário se inclui num pacote alternativo a um outro mais construtivo, possível desde que a comunidade internacional acorde medidas comuns sérias para encarar a situação, nomeadamente a implementação faseada duma nova moeda base internacional que substitua o dólar americano.
Se os países teimarem em soluções do tipo “cada um por si”, o cenário acima não é tão catastrofista como pode parecer, é apenas realista.
O tempo vai passando sem medidas sérias, e o prazo para acções conjuntas está a expirar, tudo indica que a última oportunidade vai ser já em Abril na reunião dos chamados G20.
Parece que afinal sempre será de pensar na filial Afro-Sul Americana aqui na pontinha da Europa….
O DN de hoje traz um resumido mas significativo artigo sobre o assunto, cujo link é este.
Muito se poderia comentar sobre o que foi dito na RTP em Novembro passado, mas digno de destaque mesmo é o contorcionismo que o presidente da APL já começou a ensaiar, ao fazer uma primeira referencia pública (ver este artigo) á alternativa da Trafaria, um verdadeiro 3 em 1 e que, esse sim, merece um esforço colectivo.
Não é demais lembrar que alem da expansão portuária que tal obra (o fecho da Golada) permite, subsiste uma vantagem primordial: protege de vez a costa da Caparica, suas populações e equipamentos ribeirinhos, públicos e privados, acabando com esta gestão danosa meio imbecil que consiste em afretar dragas para aí depositarem areia retirada de outros locais, a qual o mar se encarrega de paulatinamente ir retirando.
Não gosto de lugares comuns, mas é o que parece aplicar-se á evolução do assunto.
A obra avança, os media calaram-se, e entre Freeport’s (que raio de ironia, encerrada no nome e seu significado) e outros casos passados e por passar nesta nossa cleptocracia, o ónus de recuperar o país pesa cada vez mais sobre os ombros do cidadão comum (o Mário Crespo sózinho não consegue), a apreciar pela ineficácia de procuradores, juízes e outros que tais.
Poderia estender-me com considerações mais ou menos técnicas quanto ao futuro previsível dos mega-navios, no entanto a realidade vai falando por si. São navios cujo sucesso depende de um modelo de planeta que não funciona (” a Europa e os EUA ricos, a consumir e a comprar tudo o que consomem ao sul e ao extremo oriente, os quais tudo iriam produzindo por uma tuta e meia”), como todos podem ver ao vivo e em directo todos os dias nos variados telejornais que nos entram em casa.
Por esta altura, talvez o director da Liscont já comece a perceber que os clientes dele (os tais do Ask Mr. Mota,invocados para justificar a expansão do terminal) não são os armadores e operadores que operam e encomendaram mega navios, mas sim a indústria e o consumidor ibérico. É básico, trata-se de actividade subsidiária, e fundar decisões desta envergadura em pressupostos tão levianos, não pode dar bom resultado.
Deixo-vos com o primeiro dia do resto das nossas vidas cantado pela Pilar Homem de Melo:
Diz o provérbio que a vingança serve-se fria. Confesso que nunca entendi bem o que querem dizer com isso, possivelmente significa que quem se vinga de outrem, na hora de consumar a dita não encontra a satisfação que esperava quando a decidiu. Os estragos e agressões de que somos vitimas geralmente não são reparáveis por essa via, daí a importancia do perdão; sublimam-se as tais agressões de forma mais nobre e talvez com mais eficácia.
Parecem no entanto conceitos de difícil aplicação quando lidamos com assuntos de interesse público, pois aí entramos no campo onde se encontram as actuações e interesses individuais com os interesses da colectividade, da sociedade. Daí o conceito de política como actividade nobre, onde procuramos conciliar o nosso interesse pessoal e visão das coisas com o interesse do colectivo, e daí também a sordidez de muito do que se vê hoje em dia no nosso país. Num mundo com mais de 6 biliões de pessoas, e no meio desta crise de transição de um modelo económico piramidal com os EUA no topo, para um modelo económico multipolar (processo em curso, cujo desenrolar se irá acelerar em 2009 com o colapso final do dólar e da economia americana), as vinganças são relegadas para 2º plano e outros valores assumem crucial importancia: sensatez, rigor e justiça.
Em resumo, uma vingança pessoal por norma é um acto condenável, a denuncia de actuações danosas para o interesse público é um acto louvável.Vem toda esta filosofia natalícia a propósito da 1ª página do Publico de ontem e do desenvolvimento no seu interior:
Se não fosse pela víbora, muito possivelmente nem me lembrava desta introdução e muito provavelmente nem terá nada a ver uma coisa com a outra, no entanto trata-se de coincidência que me saltou á vista, e que não deixa de ter a sua piada. E onde anda a vingança ou a justiça no meio de tudo disto ?
É preciso recuar cerca de 10 anos até 1998 e ao período pré EXPO98, onde e quando se desenhou a tomada de poder de quem desde então tem mandado no país, dispersos por mais que um partido. O José Manuel Fernandes, ao que se diz via Mega Ferreira, foi um dos actores que para tal contribuíram, para recentemente se ver achincalhado por aqueles que ajudou a medrar no sistema político português. Estas 3 páginas do Publico são importantes pois vêm introduzir alguma perspectiva de discussão do interesse público neste processo, ao trazer á colação mais actores e mais argumentos, todos eles importantes e em parte já abordados neste blog. O já referido Prof. J. Viegas fala com razão em elefante branco, embora se equivoque quando reduz o movimento expectável ao nosso mercado, o t/shipment aqui pesa muito dada a nossa posição geográfica. Pelo seu lado, o Alm. Vidal Abreu introduz o tema mais sensato e inteligente, o aproveitamento da Golada.
Fica no entanto a faltar o principal, a análise da conjuntura internacional e das perspectivas que se desenham no transporte marítimo a médio/longo prazo, base de suporte para decisões desta envergadura. São as tais a que o Sr. Frasquilho se refere como “… estudo de conceituados consultores holandeses…”, mas que pessoalmente não me merecem qualquer consideração pois não são conhecidas.
Estudos e consultores há muitos e para todos os gostos, lembra-me sempre o episódio dos auditores ingleses contratados pela Parque EXPO e que quiseram trabalhar com seriedade, colidindo muito rapidamente com as sucessivas administrações que por lá passaram, o que levou ao seu rápido afastamento. No entanto não foram de mãos a abanar: a administração da Parque EXPO foi lesta em pegar no dinheiro do contribuinte e pagar integralmente a esses senhores para se calarem, não fazerem ondas e voltarem para casa no primeiro avião disponível.
Tinha sido um mero equívoco, afinal não era seriedade que procuravam…