Francisco Lobato – o Tuga 1 ganhou mesmo a prova

24/10/2009

E o Francisco finalmente chegou á Baía de Todos os Santos, a Salvador, aquela que foi capital do Brasil e cidade que todos os tugas deveriam visitar pelo menos uma vez na vida, pois mais do que história, explica muito daquilo que somos hoje em dia enquanto nação.

F. Lobato

Com o segundo lugar nesta etapa, sagrou-se contudo vencedor da prova depois de ter ganho a primeira etapa que terminou no Funchal. Os números falam por si, e mostram que a vitória é inteiramente justa, pois apesar de ter ficado em 2º nesta etapa fez melhor velocidade média que o primeiro classificado, 6.75 contra 6.61 nós, apenas percorreu mais 137 milhas no total que o francês Charlie Dalin, o vencedor desta etapa e dos poucos que participou sem patrocínio (viva o desporto). Navegar á vela tem destas coisas…


Francisco, opções de navegação

22/10/2009

O Tuga nr 1 vai hoje em 3º lugar. Num veleiro podem acontecer 1001 coisas, ainda por cima em solitário e num barco com espaço tão exíguo (para se ter uma ideia, o espaço coberto a bordo é menor que a area minima exigida por regulamentos comunitários para um posto de trabalho para uma pessoa num  escritório) sem ouvir do próprio porque optou por rumo diferente da maioria da frota, não se pode saber o que se passa.

Podemos no entanto ver o mar por onde navega neste momento, tanto o Francisco Lobato como a restante frota, neste vídeo que nos mostra uma das figuras mais singulares em todo o mundo, o piloto da barra Zé Peixe, sergipano de Aracaju que orienta as manobras tanto para o porto de Aracaju (muito assoreado) como para a Barra dos Coqueiros, verdadeiro porto comercial da zona.


A ex-Ministra da saúde finlandesa e a gripe

14/10/2009

Esta nem merece muitos comentários, fica aqui o vídeo:

Esta mesma teoria, da manipulação de povos/governos pelo Clube dos Figurões da Montanha explica-nos outros episódios mais ou menos recentes, como por ex:

1. O Santana só foi convidado para formar governo, porque o F. Rodrigues não era do Clube, o Sampaio é e teve que ganhar tempo até o Pinto de Sousa conquistar o poder no partido.

2. O Cavaco entalou a Dª Manuela com a trapalhada das escutas porque ela não é do Clube e defende o nosso interesse público, novamente têm que ganhar tempo até alguém enquadrado tomar o poder no PSD (parece que a bronca das trafulhices do P. Sousa vai mesmo rebentar mais mês menos mês, por alguma razão recomeçaram hoje a preparar o terreno para o regresso da Manela ao ecran da TVI…) .

3. O Cavaco e o Sampaio, bem como o Soares obedecem ás ordens do Clube. Já o Manuel Alegre e a F. Leite, parece que não é bem assim, são um bocado á antiga, gostamos de pensar pela n/própria cabeça.

etc, etc, é  assustador observar o sentido que tudo isto faz…


O Presidente descobriu a pólvora

30/09/2009

Primeiro, um bocadinho de história, breve e resumida. É comum ouvir referencias ao génio do Bill Gates, que teria fundado a Microsoft começando na garagem de casa dos pais, com uns amigos, a embrenhar-se nos meandros dos PC’s numas matínés quando voltavam das aulas. Ora, sem que tal implique qualquer desmerecimento do rapaz, o que se passou foi que ele foi “empurrado” para essa solução pelo então gigante da informática, IBM, que não quis “democratizar” o seu sistema Unix para uso da então novidade, na década de 80, os Computadores Pessoais.

O Gates fez o que muita gente tenta quando não tem dinheiro para comprar o que existe disponível no mercado (deve ter uma costela Tuga): produziu um sistema doméstico, meio tosco mas que funcionava, o DOS (Disk Operating System). O elefante IBM cometeu um erro crasso de gestão:subestimou o adversário.

O DOS evoluiu para o Windows, gerou a maior fortuna do mundo, e é aquilo que hoje conhecemos.

PCOra, basta ouvir quem percebe para saber que o Windows tem grandes vulnerabilidades de segurança. O que importa aqui destacar é que, tratando-se de sistema dos EUA, existem portas de entrada nos sistemas Windows que a empresa não divulga, invocando razões de segurança nacional dos EUA.

É aqui que a nossa tranquilidade de espírito começa a vacilar, quando nos lembramos do Magalhães e da informatização dos serviços públicos do Estado com recurso a esta plataforma. Quanto ao Magalhães, já aqui foi referido.

A informatização dos serviços do Estado foi feita ao arrepio do interesse público. Por um lado, existindo outras opções, tanto comerciais como de licença pública gratuita, não se percebe porque o governo limitou a sua escolha a um sistema comercial. Por outro, não se ficou por sistema europeu, antes escolheu um americano, de empresa que foi objecto de várias multas bilionárias por parte da Comissão Europeia. Para um governo europeu, que se diz apoiante do Tratado de Lisboa é obra, é gestão danosa á escala europeia no seu melhor…

Por último, e no meio de toda esta confusão e com este enquadramento, não me admira nada que o governo tivesse acesso a um nível superior de segurança do Windows, (invocando aos americanos a segurança nacional, pois embora na Venezuela o engenheiro pareça mais um caixeiro viajante a vender material informático, não deixa de ser primeiro ministro de um país da UE, democraticamente eleito…), e possa entrar nos sistemas de quem quiser desde que esteja ligado á Internet.

O PR parece que só agora descobriu a pólvora.

Por explicar deixou no entanto um detalhe fulcral neste processo. Porque raio não desviou o seu acessor para outras funções apenas depois das eleições ? Por aquilo que disse parece que:
- 1) suspeita de escutas ou pelo menos admite vulnerabilidades 2) confia inteiramente no assessor 3) Desconfia de altos cargos do PS eventualmente metidos nisto 4) apenas retirou as funções ao assessor preocupado com a sua imagem de isenção 5) ETC., ETC

Sendo consensual que a pseudo-demissão do assessor veio beneficiar o PS nas eleições, tudo isto parecia um pagamento de um favor, a candidatura de Mário Soares propulsionada pelo Pinto de Sousa  para minar o seu principal adversário, o Manuel Alegre, e assim garantir a eleição de Cavaco.

No entanto depois de o ouvir ontem á noite, expondo-se aos olhos do país como nunca tinha feito antes, pareceu-me ter visto o produto genuíno. Cavaco não é apto para o cargo que ocupa, pois não apreende a realidade do país e das forças e interesses que o asfixiam, prestando-se a episódios destes. É cada vez mais urgente renovar a nossa classe política, pois isto demonstra que existe uma outra asfixia a juntar á democrática: a geracional.


Vídeo humorístico, melhor que os gatos

27/09/2009

Hoje é dia de eleições, proibido fazer campanha.

Por isso, para me penitenciar das bocas que tenho mandado por aí (a propósito, por acaso alguem reparou que o Expresso saiu na sexta para poder publicar “legalmente” opiniões e textos nitidamente de campanha, que as pessoas acabavam por ler só no sábado, dia de reflexão ?) do Sr. Engenheiro fica aqui um vídeo humorístico:


Navegar – Francisco, o tuga nr 1

26/09/2009

Hoje é dia de reflexão, não há campanha. Ainda bem, porque o raio da campanha distrai-nos e quase passamos ao lado de coisas importantes:

A NOTICIA: Existe neste momento um português á frente de uma das mais exigentes provas transoceânicas da actualidade, que consiste em atravessar o Atlântico de França ao Brasil, sozinho num barco á vela de 6 metros e meio. Chama-se Francisco e foi o primeiro da sua classe a chegar ao Funchal.

(Se o leitor por acaso padece daquele preconceito que lhe suscita reservas ao abordar temas relacionados com veleiros, então peço que leia esta entrada: Preconceito, antes de prosseguir.

Francisco Lobato

Apesar de jovem, não é novato nestas coisas, e merece a atenção e apoio do resto do país, seja qual for a sua cor política.

A Classificação á chegada ao Funchal:

Classificação no Funchal


Campanha eleitoral II – O Vilarezinho

25/09/2009

A história até nem mereceria referencia, senão fosse pela negação da mesma protagonizada pelo sujeito. Trata-se de situação comum á grande maioria dos portugueses, ter antepassados nascidos de relações extra-matrimoniais, o que não é obviamente vergonha nem demérito para ninguém. O que torna esta interessante é obviamente o facto de se tratar de figura pública, e, acima de tudo, a mentira do dito ao tentar “travestir-se” em filho de outro e ao tomar atitudes como a censura e guilhotinagem do livro “Contos Proibidos”, por exemplo. Não é propriamente a atitude de um democrata e suposto “homem de esquerda” e humanista, como sempre gostou de se tentar mostrar publicamente:

Abril de 1975

A história que segue é a segunda transcrição do blog novafrente já referido em 21 do corrente nesta entrada.

QT

O «ATLAS» E O MENINO

Eu tardo, mas não falto — como vêem. Ora aqui têm o prometido postal. O «Atlas» de que vos falei no texto ‘Cartas Portuguesas (II)’ tem uma triste história. Foi editado em 1924 pela Livraria Sá da Costa. Isso é certo. Mas, ao contrário do que se julga, não foi escrito pelo dr. João Lopes Soares, que lhe apôs o nome no frontispício. Quem investiu largos meses na confecção do extenso manual foi o Prior da igreja do Campo Grande. Nas últimas semanas de 1923, como estivesse quase cego e sem possibilidade de concluir a obra, o Prior confiou a selecção dos mapas e a revisão final do texto a João Soares, seu vizinho e amigo, que editou o volume sob o título de «Novo Atlas Escolar Português» sem passar cavaco ao autor. Isto se bacorejava na Lisboa dos anos 20, sem que versão contrária e credível se lhe opusesse.

A família do Prior reagiu indignada com a ameaça dos tribunais. Interveio em favor de João Soares o dr. Villaret, homem de grande influência e pai do conhecido actor e declamador, tendo conseguido serenar os ânimos — e arquivar o processo. Para pagar a mercê, João Soares concordou em alojar e dar emprego a uma das criadas excedentárias que o dr. Villaret tinha em casa. Saiu-lhe assim na rifa a menina Elisa, moçoila atrevida oriunda de Pernes, ali para os lados de Torres Novas. Mas a raparigota não foi sozinha: levou no ventre o fruto vivo dos serões que passava com o antigo patrão, sob a forma masculina e três quilitos de peso. Escrevia assim o dr. Villaret uma página dourada da Moral à portuguesa: se o despadrado chamara seu o livro de outrem, pois que perfilhasse igualmente o filho alheio…

Tudo isto se bacorejava igualmente nessa Lisboa de outros tempos. A calúnia malsinava o antigo clérigo, mordiscando-lhe a reputação com o prolóquio – pai é quem baptiza; escarnecia do homem; e, valha a verdade, nunca a cara papuda de um recém-nascido denunciara tão francamente o progenitor… O menino Mário parecia-se tanto com o pai natural que até, nuns mexericos protervos, as línguas naturalistas da freguesia lhe chamavam o villarezinho, e ao pai de pia baptismal chamavam-lhe o enganado. Chalaças brutas da Lisboa de há três quartéis que, transplantadas para os nossos dias e rendilhadas de estilo figurado, podiam ser citadas como exemplos de humorismo português — uma especialidade que se dá na nossa terra como as batatas; e nós, em vez de exportarmos, importamos batatas de Espanha e espírito do «Le Monde» e do «Canard Enchaîné».

Fácil é de ver que a tremenda caçoada fez que esfriasse no coração do despadrado o sentimento paternal. Parece pois que a voz do sangue não gritava, e que a natureza, nem sempre amordaçada pela lei absurda que faz os pais demonstrados pelas núpcias, nuptiae demonstrant, estava protestando, no desamor do menino Marocas, contra o sofisma daquela progenitura de coito danado. Só assim se explica a indiferença com que o dr. João Soares recebeu vida fora a notícia das detenções do suposto filho, que ele sabia sempre na vadiagem e metido em alhadas.

UNQT


A maré precipitou-se

22/09/2009

No regresso de férias deparámos-nos com o saneamento selvagem da Moura Guedes, por ordem do Cebrian, o que originou o post da Maré Bin Cebrian Laden em 5 deste mês. No entanto a Maré precipitou-se, pois das duas leituras possíveis, 1) vingança da Prisa por causa dos entraves postos á venda da TVI á PT, ou 2) favor ao Pinto de Sousa, escolhemos o primeiro.

Ora, estamos a 22 de Setembro e foi negligenciado um dado fundamental: a voragem e manipulação dos media, particularmente em plena campanha eleitoral. Hoje já poucos se lembram do episódio, o qual saiu pura e simplesmente da agenda e, como tal, terá um efeito menor na decisão de voto de muitos dos que, a quente, teriam sido  influenciados. Ou seja, aquilo que poderia parecer uma atitude de terrorismo eleitoral para prejudicar o P. Sousa e seus muchachos, é precisamente o oposto: um (grande) favor feito ao rapaz, ao tirar do ar o único programa de informação que poderia questionar o nosso primeiro quanto a uma das muitas e gordas  trafulhices por ele protagonizadas.

Afinal parece que em vez de Bin Cebrian Laden temos um Bin Pinto de Sousa Laden, pois a forma como foi silenciado o Jornal de Sexta é puro terrorismo social.

Aqui fica a correcção e uma anedota já um pouco batida, no entanto ao vivo e em directo na televisão com esta senhora deixa de ser uma mera anedota, é quase um evento, tal o impacto da TV na nossa percepção das coisas (daí o desespero do artista em silenciar a Manuela M. Guedes):


Campanha eleitoral

21/09/2009

O homem, apesar de velhote, acabou por entrar em cena, por isso merece uma referencia (talvez duas), pois o link no Cebrian Laden remete para uma pagina extensa onde é difícil encontrar o texto a que diz respeito. Excerto do novafrente.blogspot.com, publicado em Novembro de 2004:

QT

O GIGI


Entretanto, ofereço aos meus leitores um comentário de Fernanda Leitão, que também quis entrar na roda, sobre o mesmo e anafado assunto:

A história trágico-cómica do Despadrado e do Anafado prova, de forma definitiva, que a voz do povo é a verdadeira. Porque diz:
1 – Vitelo nascido no curral é do boi da manada mesmo que tenha sido engendrado fora dela;
2 – Filho de padre não faz obra acabada.

Como se tem visto.

Eu sempre o conheci por Anafado, desde o tempo longínquo em que o vi amesendado à manjedoura do Despadrado, dia e noite, anos a fio, com um apetite devorador. O Despadrado abanava a cabeça, pensativo, e dizia: este rapaz, este rapaz…
É que há amizades estuporadas. Duma fidelidade, tão de avental, tão medida a compasso, que podem deixar heranças destas.
Só depois de andar por Franças e Araganças é que percebi melhor de que massa era feito o Anafado. E soube-o por aquele telefone árabe que funcionava na perfeição nos cafés da Rive Gauche por onde parava o reviralho em peso. Com excepção do reviralho do Anafado, que esse tomava a bica revolucionária no Café de la Paix, e muito bem, que para alguma coisa havia de servir o dinheiro do Galego que os sustentava.
A confirmação, definitiva, segura, tive-a depois da abrilada quando, no primeiro governo constitucional, apareceu numa pasta liró um dos elementos da tertúlia que frequentei anos a fio no Chiado. Um homem giro, professor universitário. Fiquei banza. Nem queria acreditar. De modo que, para encurtar razões, fui ao ministério onde ele estava e mandei-me anunciar por um secretário qualquer. O homem não podia estar mais surpreendido, porque o patrão me mandou entrar imediatamente.
— Então o que é que mandas? — perguntou-me o governante pintado de fresco, de braços abertos, um grande sorriso a iluminar-lhe a cara de bons traços.
— Nao mando nada, só quis ver se tinhas lata para estar aqui — respondi-lhe.
Deu uma gargalhada enorme, sacudiu o cachimbo e disse-me:
— Tenho lido o teu jornal e deliro. Imagino como anda o Gigi… Deve estar que nem um touro bandarilhado…
Quis saber quem era o Gigi. Explicou-me que o Anafado era conhecido por esse nome entre a malta da universidade, no tempo deles, por andar sempre pendurado nos trocos dos amigos porque o Despadrado não ia em golpes.
Fez-se luz no meu entendimento. Então era isso.
Está bem, mas que estava ele ali a fazer, dentro dum governo?
— O Gigi não me largou para eu aceitar. Foi para me adoçar a boca…
— Ou para te pôr o açaime, respondi eu.
Rimos ambos. Dali a pouco, o intelectual deu uma desculpa elegante e saiu daquela treta. Já tinha visto o que queria ver.
E nós ainda estamos para ver mais do que já vimos.

UNQT

* nota para os mais jovens: a “abrilada” acima referida é o 25 de Abril de 1974.



Ironias do destino

14/09/2009

Afinal a discussão do TGV ainda não se generalizou em Espanha.

Alem do ministro do PSOE amigalhaço do Pinto de Sousa, a outra voz de político que deu a cara foi o presidente da Junta da Extremadura. Diga-se de passagem que esta postura do governo espanhol não é muito inteligente, pois se as nossas reservas quanto ao TGV se devem a falta de massa eles também se deveriam preocupar, pois em termos de comércio externo Espanha é o nosso principal fornecedor. Ou seja, numa situação de penúria, qual a medida governativa mais inteligente por parte do governo espanhol, seja de que partido for ?

Tentar forçar a decisão do TGV e privar o seu cliente Portugal  duma pipa de massa que em boa parte servirá para lhe comprar bens e serviços, ou olhar para a sua própria crise e para a maior taxa de desemprego da Europa que é espanhola e pensar que se calhar não é a altura própria para avançar com obras faraónicas supostamente modernistas ?

Agora vamos á ironia: adivinhe o leitor de onde é o Vara, o Presidente da Junta da Extremadura que veio a público todo assanhado contra a postura da presidente do PSD ? Ainda não adivinhou ?

Pois em rigor, o homem é cá dos nossos, é Português, pois nasceu em …Olivença, cuja anexação nunca foi formalmente reconhecida por Portugal. Fica aqui o link para a biografia do rapaz.

FORÇA Guillermo, na próxima vez que mandares uma bocas sobre o TGV não te esqueças de dizer o que pensas de Olivença e se te consideras português ou espanhol…