É assim a vida política no planeta, neste início do milénio e com mais de 7 biliões de pessoas nesta nossa redondinha nave espacial (gosto mais dos biliões que dos milhares de milhão): enquanto a imagem de uns como o Obama se vai esfumando na incapacidade de fazer a diferença (dentro do seu estilo, cada vez se parece mais com o Pinto de Sousa, só faltam mesmo os 350 milhões de euros…), outros afirmam-se como verdadeiros políticos. Refiro-me ao Papandreou, senhor grego que a passada semana nos lembrou, a nós europeus, o que é a democracia.
A intoxicação informativa de que somos vitimas hoje em dia por parte dos nossos media, alinhados com um moribundo sistema de poder transnacional, já tentou adulterar as verdadeiras razões pelas quais terá sugerido um referendo. A minha fugaz experiência política, no entanto, ensinou-me uma coisa: nestas situações, geralmente as primeiras noticias são as verdadeiras (alguém terá em tempos dito: em política, o que parece, é…). E uma das primeiras noticias que para mim mais sentido fez foi precisamente a das mexidas nas chefias militares na Grécia, indiciando um possível golpe de Estado. Num cenário destes, que faria o leitor se estivesse na pele do Papandreou ?
Eu faria exactamente o mesmo, recorrer ao povo, base última de sustentação do poder numa democracia. O referendo é precisamente isso: a responsabilização de todos perante uma decisão importante e que a todos afecta. Depois de anunciado o referendo, se o golpe de Estado avançasse, o visado já não era apenas um primeiro ministro e o seu governo, seriam todos os gregos pois já estavam convocados para se pronunciar, esvaziando de legitimidade as pretensas bases de sustentação de um golpe de estado militar. Por alguma razão foi a Grécia o berço da democracia.
É caso para dizer, no estado a que as coisas chegaram, deveríamos estar em referendo permanente.
Trata-se de ideia aparentemente utópica há meia dúzia de anos atrás, no entanto hoje em dia é tecnicamente possível, andamos sempre todos ligados em permanência, pelo que será uma alternativa a ter em conta na forma de fazer política. Em vez de receber um sms duma amiga a convidar para jantar fora, imagine o leitor que recebe a mensagem duma Central de Gestão de decisões políticas a perguntar: ‘ Vota-se daqui a uma hora no Parlamento Europeu a constituição da Federação Estados Unidos da Europa. Prima 1 para votar: sim, 2 para votar em branco, e 3 para votar: não.’
