Esta pantomina do Isaltino é apenas uma das formas de expressão da cleptocracia em que vivemos.
Portugal deixou de ser (esperemos que temporariamente) um estado de direito; fomos desgraduados por comportamentos tipo ‘Isaltino’, cujo único pecado dentro de PSD foi na altura ser ‘plebeu’, outros como T.M. ou C. C. ou M.J. tiveram comportamentos muito mais aviltantes no plano político-criminal e nunca se viu ou ouviu a respectiva autocrítica, expulsão ou condenação pública por parte do partido. Por mais revoltante que nos possa parecer, prender o Isaltino e deixar todos os outros intocados acaba por ser uma ‘injustiça’.
O caso Isaltino apenas atingiu esta projecção pela sua atitude de revolta de plebeu que se viu rejeitado pela nobreza do partido. Foi na altura convidado por outro plebeu/híbrido (Durão) para ministro, o que abriu a porta para esta vingança pública por parte da nobreza decrépita e cleptocrática do chamado ‘centrão’, que descambou na situação que se conhece.
O que se passa hoje é que as figuras do estado e do sistema judiciário obrigadas a assumir posição pública perante este caso, são cobardes sem a necessária coragem ou integridade moral para reconhecerem estes simples factos publicamente e admitirem perante os cidadãos esta ignóbil trapalhada, dos recursos sobre recursos com efeitos suspensivos (um criminoso é aquele que comete um crime, não alguém condenado e com sentença transitada em julgado, é bom recordar…).
Estas coisas são muito simples de entender: um arguido, depois de ouvir uma sentença condenatória, seja em que instância for, deve seguir directamente da sala de audiências para a prisão. Esta excepção que aqui inventaram do ‘efeito suspensivo’ é, acima de tudo, uma ofensa para todo o sistema judiciário a jusante (PJ, procuradores, etc.), e para os outros dez milhões de cidadãos que pagam os ordenados destes últimos, pois ninguém é acusado de animo leve; tem que haver muita e consistente matéria para que o MP se atreva a acusar, apesar da ligeireza com que por vezes conduz certos processos.
E assim vamos, de isaltinada em isaltinada até ao descalabro final…
Note-se que este texto não pretende ser uma justificação para a libertação do homem do charuto, antes pelo contrário, pretende apenas lembrar que muitos mais se lhe deveriam juntar nos calabouços da PJ.
Para ajudar á festa, e a fazer fé no DN de hoje, o vice do C.S.M. parece que vai determinar a abertura de um inquérito para saber porque prenderam o homem, se calhar quer instaurar um qualquer procedimento disciplinar ao ‘atrevimento’ da juíza do Tribunal de Oeiras. (porque não será o presidente do CSM a tomar uma atitude, será que se sente ainda muito comprometido pela sua intervenção no procº C.Pia ?).