O Presidente descobriu a pólvora

30/09/2009

Primeiro, um bocadinho de história, breve e resumida. É comum ouvir referencias ao génio do Bill Gates, que teria fundado a Microsoft começando na garagem de casa dos pais, com uns amigos, a embrenhar-se nos meandros dos PC’s numas matínés quando voltavam das aulas. Ora, sem que tal implique qualquer desmerecimento do rapaz, o que se passou foi que ele foi “empurrado” para essa solução pelo então gigante da informática, IBM, que não quis “democratizar” o seu sistema Unix para uso da então novidade, na década de 80, os Computadores Pessoais.

O Gates fez o que muita gente tenta quando não tem dinheiro para comprar o que existe disponível no mercado (deve ter uma costela Tuga): produziu um sistema doméstico, meio tosco mas que funcionava, o DOS (Disk Operating System). O elefante IBM cometeu um erro crasso de gestão:subestimou o adversário.

O DOS evoluiu para o Windows, gerou a maior fortuna do mundo, e é aquilo que hoje conhecemos.

PCOra, basta ouvir quem percebe para saber que o Windows tem grandes vulnerabilidades de segurança. O que importa aqui destacar é que, tratando-se de sistema dos EUA, existem portas de entrada nos sistemas Windows que a empresa não divulga, invocando razões de segurança nacional dos EUA.

É aqui que a nossa tranquilidade de espírito começa a vacilar, quando nos lembramos do Magalhães e da informatização dos serviços públicos do Estado com recurso a esta plataforma. Quanto ao Magalhães, já aqui foi referido.

A informatização dos serviços do Estado foi feita ao arrepio do interesse público. Por um lado, existindo outras opções, tanto comerciais como de licença pública gratuita, não se percebe porque o governo limitou a sua escolha a um sistema comercial. Por outro, não se ficou por sistema europeu, antes escolheu um americano, de empresa que foi objecto de várias multas bilionárias por parte da Comissão Europeia. Para um governo europeu, que se diz apoiante do Tratado de Lisboa é obra, é gestão danosa á escala europeia no seu melhor…

Por último, e no meio de toda esta confusão e com este enquadramento, não me admira nada que o governo tivesse acesso a um nível superior de segurança do Windows, (invocando aos americanos a segurança nacional, pois embora na Venezuela o engenheiro pareça mais um caixeiro viajante a vender material informático, não deixa de ser primeiro ministro de um país da UE, democraticamente eleito…), e possa entrar nos sistemas de quem quiser desde que esteja ligado á Internet.

O PR parece que só agora descobriu a pólvora.

Por explicar deixou no entanto um detalhe fulcral neste processo. Porque raio não desviou o seu acessor para outras funções apenas depois das eleições ? Por aquilo que disse parece que:
- 1) suspeita de escutas ou pelo menos admite vulnerabilidades 2) confia inteiramente no assessor 3) Desconfia de altos cargos do PS eventualmente metidos nisto 4) apenas retirou as funções ao assessor preocupado com a sua imagem de isenção 5) ETC., ETC

Sendo consensual que a pseudo-demissão do assessor veio beneficiar o PS nas eleições, tudo isto parecia um pagamento de um favor, a candidatura de Mário Soares propulsionada pelo Pinto de Sousa  para minar o seu principal adversário, o Manuel Alegre, e assim garantir a eleição de Cavaco.

No entanto depois de o ouvir ontem á noite, expondo-se aos olhos do país como nunca tinha feito antes, pareceu-me ter visto o produto genuíno. Cavaco não é apto para o cargo que ocupa, pois não apreende a realidade do país e das forças e interesses que o asfixiam, prestando-se a episódios destes. É cada vez mais urgente renovar a nossa classe política, pois isto demonstra que existe uma outra asfixia a juntar á democrática: a geracional.


Vídeo humorístico, melhor que os gatos

27/09/2009

Hoje é dia de eleições, proibido fazer campanha.

Por isso, para me penitenciar das bocas que tenho mandado por aí (a propósito, por acaso alguem reparou que o Expresso saiu na sexta para poder publicar “legalmente” opiniões e textos nitidamente de campanha, que as pessoas acabavam por ler só no sábado, dia de reflexão ?) do Sr. Engenheiro fica aqui um vídeo humorístico:


Navegar – Francisco, o tuga nr 1

26/09/2009

Hoje é dia de reflexão, não há campanha. Ainda bem, porque o raio da campanha distrai-nos e quase passamos ao lado de coisas importantes:

A NOTICIA: Existe neste momento um português á frente de uma das mais exigentes provas transoceânicas da actualidade, que consiste em atravessar o Atlântico de França ao Brasil, sozinho num barco á vela de 6 metros e meio. Chama-se Francisco e foi o primeiro da sua classe a chegar ao Funchal.

(Se o leitor por acaso padece daquele preconceito que lhe suscita reservas ao abordar temas relacionados com veleiros, então peço que leia esta entrada: Preconceito, antes de prosseguir.

Francisco Lobato

Apesar de jovem, não é novato nestas coisas, e merece a atenção e apoio do resto do país, seja qual for a sua cor política.

A Classificação á chegada ao Funchal:

Classificação no Funchal


Campanha eleitoral II – O Vilarezinho

25/09/2009

A história até nem mereceria referencia, senão fosse pela negação da mesma protagonizada pelo sujeito. Trata-se de situação comum á grande maioria dos portugueses, ter antepassados nascidos de relações extra-matrimoniais, o que não é obviamente vergonha nem demérito para ninguém. O que torna esta interessante é obviamente o facto de se tratar de figura pública, e, acima de tudo, a mentira do dito ao tentar “travestir-se” em filho de outro e ao tomar atitudes como a censura e guilhotinagem do livro “Contos Proibidos”, por exemplo. Não é propriamente a atitude de um democrata e suposto “homem de esquerda” e humanista, como sempre gostou de se tentar mostrar publicamente:

Abril de 1975

A história que segue é a segunda transcrição do blog novafrente já referido em 21 do corrente nesta entrada.

QT

O «ATLAS» E O MENINO

Eu tardo, mas não falto — como vêem. Ora aqui têm o prometido postal. O «Atlas» de que vos falei no texto ‘Cartas Portuguesas (II)’ tem uma triste história. Foi editado em 1924 pela Livraria Sá da Costa. Isso é certo. Mas, ao contrário do que se julga, não foi escrito pelo dr. João Lopes Soares, que lhe apôs o nome no frontispício. Quem investiu largos meses na confecção do extenso manual foi o Prior da igreja do Campo Grande. Nas últimas semanas de 1923, como estivesse quase cego e sem possibilidade de concluir a obra, o Prior confiou a selecção dos mapas e a revisão final do texto a João Soares, seu vizinho e amigo, que editou o volume sob o título de «Novo Atlas Escolar Português» sem passar cavaco ao autor. Isto se bacorejava na Lisboa dos anos 20, sem que versão contrária e credível se lhe opusesse.

A família do Prior reagiu indignada com a ameaça dos tribunais. Interveio em favor de João Soares o dr. Villaret, homem de grande influência e pai do conhecido actor e declamador, tendo conseguido serenar os ânimos — e arquivar o processo. Para pagar a mercê, João Soares concordou em alojar e dar emprego a uma das criadas excedentárias que o dr. Villaret tinha em casa. Saiu-lhe assim na rifa a menina Elisa, moçoila atrevida oriunda de Pernes, ali para os lados de Torres Novas. Mas a raparigota não foi sozinha: levou no ventre o fruto vivo dos serões que passava com o antigo patrão, sob a forma masculina e três quilitos de peso. Escrevia assim o dr. Villaret uma página dourada da Moral à portuguesa: se o despadrado chamara seu o livro de outrem, pois que perfilhasse igualmente o filho alheio…

Tudo isto se bacorejava igualmente nessa Lisboa de outros tempos. A calúnia malsinava o antigo clérigo, mordiscando-lhe a reputação com o prolóquio – pai é quem baptiza; escarnecia do homem; e, valha a verdade, nunca a cara papuda de um recém-nascido denunciara tão francamente o progenitor… O menino Mário parecia-se tanto com o pai natural que até, nuns mexericos protervos, as línguas naturalistas da freguesia lhe chamavam o villarezinho, e ao pai de pia baptismal chamavam-lhe o enganado. Chalaças brutas da Lisboa de há três quartéis que, transplantadas para os nossos dias e rendilhadas de estilo figurado, podiam ser citadas como exemplos de humorismo português — uma especialidade que se dá na nossa terra como as batatas; e nós, em vez de exportarmos, importamos batatas de Espanha e espírito do «Le Monde» e do «Canard Enchaîné».

Fácil é de ver que a tremenda caçoada fez que esfriasse no coração do despadrado o sentimento paternal. Parece pois que a voz do sangue não gritava, e que a natureza, nem sempre amordaçada pela lei absurda que faz os pais demonstrados pelas núpcias, nuptiae demonstrant, estava protestando, no desamor do menino Marocas, contra o sofisma daquela progenitura de coito danado. Só assim se explica a indiferença com que o dr. João Soares recebeu vida fora a notícia das detenções do suposto filho, que ele sabia sempre na vadiagem e metido em alhadas.

UNQT


A maré precipitou-se

22/09/2009

No regresso de férias deparámos-nos com o saneamento selvagem da Moura Guedes, por ordem do Cebrian, o que originou o post da Maré Bin Cebrian Laden em 5 deste mês. No entanto a Maré precipitou-se, pois das duas leituras possíveis, 1) vingança da Prisa por causa dos entraves postos á venda da TVI á PT, ou 2) favor ao Pinto de Sousa, escolhemos o primeiro.

Ora, estamos a 22 de Setembro e foi negligenciado um dado fundamental: a voragem e manipulação dos media, particularmente em plena campanha eleitoral. Hoje já poucos se lembram do episódio, o qual saiu pura e simplesmente da agenda e, como tal, terá um efeito menor na decisão de voto de muitos dos que, a quente, teriam sido  influenciados. Ou seja, aquilo que poderia parecer uma atitude de terrorismo eleitoral para prejudicar o P. Sousa e seus muchachos, é precisamente o oposto: um (grande) favor feito ao rapaz, ao tirar do ar o único programa de informação que poderia questionar o nosso primeiro quanto a uma das muitas e gordas  trafulhices por ele protagonizadas.

Afinal parece que em vez de Bin Cebrian Laden temos um Bin Pinto de Sousa Laden, pois a forma como foi silenciado o Jornal de Sexta é puro terrorismo social.

Aqui fica a correcção e uma anedota já um pouco batida, no entanto ao vivo e em directo na televisão com esta senhora deixa de ser uma mera anedota, é quase um evento, tal o impacto da TV na nossa percepção das coisas (daí o desespero do artista em silenciar a Manuela M. Guedes):


Campanha eleitoral

21/09/2009

O homem, apesar de velhote, acabou por entrar em cena, por isso merece uma referencia (talvez duas), pois o link no Cebrian Laden remete para uma pagina extensa onde é difícil encontrar o texto a que diz respeito. Excerto do novafrente.blogspot.com, publicado em Novembro de 2004:

QT

O GIGI


Entretanto, ofereço aos meus leitores um comentário de Fernanda Leitão, que também quis entrar na roda, sobre o mesmo e anafado assunto:

A história trágico-cómica do Despadrado e do Anafado prova, de forma definitiva, que a voz do povo é a verdadeira. Porque diz:
1 – Vitelo nascido no curral é do boi da manada mesmo que tenha sido engendrado fora dela;
2 – Filho de padre não faz obra acabada.

Como se tem visto.

Eu sempre o conheci por Anafado, desde o tempo longínquo em que o vi amesendado à manjedoura do Despadrado, dia e noite, anos a fio, com um apetite devorador. O Despadrado abanava a cabeça, pensativo, e dizia: este rapaz, este rapaz…
É que há amizades estuporadas. Duma fidelidade, tão de avental, tão medida a compasso, que podem deixar heranças destas.
Só depois de andar por Franças e Araganças é que percebi melhor de que massa era feito o Anafado. E soube-o por aquele telefone árabe que funcionava na perfeição nos cafés da Rive Gauche por onde parava o reviralho em peso. Com excepção do reviralho do Anafado, que esse tomava a bica revolucionária no Café de la Paix, e muito bem, que para alguma coisa havia de servir o dinheiro do Galego que os sustentava.
A confirmação, definitiva, segura, tive-a depois da abrilada quando, no primeiro governo constitucional, apareceu numa pasta liró um dos elementos da tertúlia que frequentei anos a fio no Chiado. Um homem giro, professor universitário. Fiquei banza. Nem queria acreditar. De modo que, para encurtar razões, fui ao ministério onde ele estava e mandei-me anunciar por um secretário qualquer. O homem não podia estar mais surpreendido, porque o patrão me mandou entrar imediatamente.
— Então o que é que mandas? — perguntou-me o governante pintado de fresco, de braços abertos, um grande sorriso a iluminar-lhe a cara de bons traços.
— Nao mando nada, só quis ver se tinhas lata para estar aqui — respondi-lhe.
Deu uma gargalhada enorme, sacudiu o cachimbo e disse-me:
— Tenho lido o teu jornal e deliro. Imagino como anda o Gigi… Deve estar que nem um touro bandarilhado…
Quis saber quem era o Gigi. Explicou-me que o Anafado era conhecido por esse nome entre a malta da universidade, no tempo deles, por andar sempre pendurado nos trocos dos amigos porque o Despadrado não ia em golpes.
Fez-se luz no meu entendimento. Então era isso.
Está bem, mas que estava ele ali a fazer, dentro dum governo?
— O Gigi não me largou para eu aceitar. Foi para me adoçar a boca…
— Ou para te pôr o açaime, respondi eu.
Rimos ambos. Dali a pouco, o intelectual deu uma desculpa elegante e saiu daquela treta. Já tinha visto o que queria ver.
E nós ainda estamos para ver mais do que já vimos.

UNQT

* nota para os mais jovens: a “abrilada” acima referida é o 25 de Abril de 1974.



Ironias do destino

14/09/2009

Afinal a discussão do TGV ainda não se generalizou em Espanha.

Alem do ministro do PSOE amigalhaço do Pinto de Sousa, a outra voz de político que deu a cara foi o presidente da Junta da Extremadura. Diga-se de passagem que esta postura do governo espanhol não é muito inteligente, pois se as nossas reservas quanto ao TGV se devem a falta de massa eles também se deveriam preocupar, pois em termos de comércio externo Espanha é o nosso principal fornecedor. Ou seja, numa situação de penúria, qual a medida governativa mais inteligente por parte do governo espanhol, seja de que partido for ?

Tentar forçar a decisão do TGV e privar o seu cliente Portugal  duma pipa de massa que em boa parte servirá para lhe comprar bens e serviços, ou olhar para a sua própria crise e para a maior taxa de desemprego da Europa que é espanhola e pensar que se calhar não é a altura própria para avançar com obras faraónicas supostamente modernistas ?

Agora vamos á ironia: adivinhe o leitor de onde é o Vara, o Presidente da Junta da Extremadura que veio a público todo assanhado contra a postura da presidente do PSD ? Ainda não adivinhou ?

Pois em rigor, o homem é cá dos nossos, é Português, pois nasceu em …Olivença, cuja anexação nunca foi formalmente reconhecida por Portugal. Fica aqui o link para a biografia do rapaz.

FORÇA Guillermo, na próxima vez que mandares uma bocas sobre o TGV não te esqueças de dizer o que pensas de Olivença e se te consideras português ou espanhol…


Países normais

10/09/2009

Sapatos

O Brasil tomou uma decisão normal. Quando nós éramos normais também tomávamos decisões normais, daquelas que nos protegiam, para não sermos comidos ou devorados. No entanto por aqui tomam-se principios adoptados há mais de duzentos anos como dogmas, neste caso concreto o principio da vantagem comparativa, invocado em Inglaterra antes de 1800 por um economista  luso-descendente de nome Ricardo, que se pôs a fazer umas contas aos custos de produção do vinho em Portugal e de têxteis em Inglaterra. Entre outras coisas, chegou á conclusão que era mais vantajoso produzirmos nós por aqui o vinho e exportar o dito!!!

É obvio que se trata de principio válido no entanto não é o dogma que nos querem impôr, aplicável a tudo e todos de forma generalizada. Os países normais como o Brasil sabem disso, e não abdicam da arma tradicional de auto-defesa em guerras comerciais: a Pauta Aduaneira. É uma arma válida e legítima, para ser usada quando faz falta. Por aqui, anda tudo muito alarmado com o défice da balança comercial, e proliferam as discussões teóricas sobre as panaceias possíveis, sem no entanto se lembrarem de olhar para o raio da pauta e estudarem onde e como podem (por enquanto) considerar a sua utilização para tentar equilibrar as contas.

Aquele por enquanto entre parenteses tem a sua razão de ser: é que neste momento ainda temos poder sobre a nossa Pauta Aduaneira, no entanto, se o Tratado de Lisboa for ratificado esse poder de decisão é posto nas mãos da Comissão Europeia, que não defende própriamente os nossos interesses. As pessoas por vezes esquecem-se que ainda não vivemos nos Estados Unidos da Europa, vivemos sim um processo de integração Europeia.

A resistência de alguns europeus ao dito tratado não tem na sua maioria a ver com anti-europeísmo, mas antes com sobrevivência, É precisamente o oposto, nós somos europeístas (falo por mim) no entanto gostava de me sentar á mesa com o Alemães, Franceses, etc para acabarmos de vez com o raio da integração europeia e fazermos um único país, com uma economia verdadeiramente comum e um único governo.

A NORMALIDADE:

Brasília, 10 Set (Lusa) — O Brasil fixou sexta-feira e por um prazo de cinco anos uma sobretaxa de 12,47 dólares por cada par de sapatos importados da China e de 0,75 dólares por cada quilo de pneus proveniente daquele país asiático.

A Câmara de Comércio Exterior, numa decisão anunciada quarta-feira pelo jornal oficial da União indicou que a medida foi tomada como uma prática anti-dumping destinada a proteger os mercados internos da concorrência desde o exterior.

As novas tarifas adicionais entraram imediatamente em vigor e segundo o Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior, a decisão foi fruto de uma investigação sobre a importação daqueles artigos efectuada pelo departamento de Defesa Comercial.

O estudo indicou que entre 2003 e 2007 as importações de calçado da China aumentaram 549 por cento ao mesmo tempo que a produção nacional diminuiu 28 por cento.

No caso dos sapatos, foram excluídas sobretaxas para sandálias de praia, pantufas, sapatos de dança e calçado desportivo.

As associações de produtores de calçado e de pneus tinham apresentado em 2008 protestos formais ao Governo brasileiro para que tomassem medidas de protecção de mercado interno nesses artigos.


Bin Cébrian Laden

05/09/2009

Primeiro, o vídeo censurado pela Prisa/Cébrian:

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O Bin Laden não achou piada ao apoio do Aznar ao Bush. Vai daí, decidiu vingar-se, e naquele dia 11 de Março mandou pôr umas bombas nos suburbanos de Madrid matando quase 200 pessoas. As vítimas, essas pessoas, foram meros peões naquele jogo, simples mexilhões apanhados por mar furioso a bater com força na rocha…

O Cébrian, embora diga que a decisão partiu aqui do Bairrão, é obviamente o Bin Laden desta história. É natural que o homem não tenha achado piada quando o Pinto de Sousa (o nosso primeiro) impediu a PT de concluir o negócio que já tinha alinhavado com ele, e vai daí, decidiu montar o seu pequeno 11 de Março. No entanto, não tem a habilidade do Bin nestas coisas nem a situação se prestava exactamente ao timing mais oportuno para fazer o maior estrago possível; a Manuela não meteu baixa nem licença sem vencimento e ia voltar ao trabalho na passada sexta feira. O Cébrian não teve outra opção, ou avançava antes de sexta ou se ficava e desistia do seu atentado de pseudo-terrorismo eleitoral.

Como todos sabem, decidiu avançar…

O Laden escolheu a sua data meticulosamente, escassos dias antes da votação e fez muito mais estragos do que pensava, pois teve um bónus inesperado: a desonestidade e falta de inteligência do governo de Aznar que não cedeu á tentação de tentar falsear a realidade e transformar um atentado da Al Qaeda num atentado da ETA. Foi uma jogada de Aznar (muito) arriscada que rapidamente se virou contra ele, numa era de Internet e SMS é cada vez mais arriscado tentar manipular a informação. O desfecho foi aquele que todos conhecem, perdeu as eleições.

O Cébrian está neste momento á espera para ver “que pasa”, é possível que vá ainda ter um bónus. O nosso primeiro, para já, devia ter ficado calado e não ficou, pelo que lhe restam ainda mais de vinte dias para tentar travestir a situação, expressão que lhe é cara. Parece contudo não ter percebido que é daquelas situações que quanto mais lhe mexe mais se enterra. Devia aconselhar-se com o Villarezinho, que tem mais experiencia e é bastante mais habilidoso nestas coisas, talvez conseguisse minimizar os estragos.

Nós tugas, talvez tenhamos no meio disto alguma sorte, pois o Pinto de Sousa parece partilhar com o Aznar aquelas mesmas qualidades que o conduziram ao descalabro eleitoral, pelo que nos resta esperar que o homem siga igual a si mesmo até dia 27 para lhe darmos a despedida que merece. Pessoalmente, penso que esta decisão com este timing foi orquestrada precisamente de dentro do PS, muito provavelmente pelo Costa, que se auto-convenceu que há-de chegar a primeiro-ministro e que tem contactos internacionais a um nível que lhe permite chegar á Prisa.

O PS há muito que deixou de ser um partido político (vide o livro “Contos Proibidos” de Rui Mateus, edição da D. Quixote, ou na Internet basta procurar com o Google), e passou a ser um ninho de víboras (desculpe-me o nosso primeiro a expressão mas foi aquela que vexa utilizou quando se referia aos blogs), pelo que o passado recente mostrou que os ataques deste calibre têm vindo precisamente de dentro e não de fora, o P. Sousa está apenas a colher as tempestades dos ventos que semeou.

Quanto á Manuela Moura Guedes, faz o seu trabalho de forma louvável. Sou seu admirador desde os tempos das idas á Bela Vista (ou praia do Rei, já não me lembro bem) e confesso que gosto do estilo, tem o grande mérito de não se apresentar alinhada com o regime (coisa de que alguns supostos contestatários tipo Marinho Pinto não se podem gabar), é apenas lamentável que a não deixem desenvolver estes temas com mais profundidade.

Contrariamente a outro dos pseudo-contestatários do regime, o M.S.Tavares, que teve o descaramento de escrever no Expresso há semanas atrás a propósito do Freeport que “pelo facto de andar a observar a nossa classe política há mais de 15 ou 20 anos não acreditar que o PM tivesse cometido qualquer ilegalidade”, eu testemunho precisamente o contrário, como e onde roubam, todos os dias e de forma impune e despudorada.

Devo viver noutro país, certamente acometido de uma qualquer nova variante de esquizofrenia lusitana do século XXI…