Drama ou Tragédia

09/04/2009

Acerca da actual crise, li algures recentemente que a maior dificuldade seria percebermos se estamos a viver um drama ou uma tragédia. Elucidava-nos o autor quanto á diferença entre as duas situações: no drama, os actores ainda são senhores do seu destino, podem através de acções e atitudes alterar o desfecho das coisas. Na tragédia, já não. Os personagens assistem impotentes ao desenrolar dos eventos que os vão conduzindo ao descalabro final.

Há meia dúzia de maduros que ainda acreditam que se trata apenas de um drama, e, entre outras coisas, dedicam-se a isto, escrever umas coisas nuns blogs.

Como tal, seja drama ou tragedia, o melhor é tentar levar as coisas com boa disposição apesar da seriedade das mesmas. Para isso, fica aqui uma explicação de alto nível de dois peritos ingleses explicando como se chegou á actual crise financeira:

O drama, para já, é perceber que estes dois comediantes têm razão, o que reduz os actuais banqueiros e políticos que sancionam o seu comportamento  á sua verdadeira dimensão: a de comediantes e pantomineiros.


Modelos de sociedade

07/04/2009

Recentemente, começaram timidamente a surgir referências nos media á raiz do verdadeiro problema de Portugal hoje em dia, o qual pura e simplesmente reside na “desgraduação” social de que fomos e continuamos a ser alvo: na actualidade, dificilmente se pode considerar a Republica Portuguesa um Estado de Direito. Daí, assistirmos a esta coisa fantástica em que que toda a gente deve já ter reparado: a cada vez mais frequente concordância de posições em temas específicos entre o CDS e o PC, por ex. ou entre o BE e o PPD, o que aparentemente é contraditório.

As tais referências a que me reporto acima consistem numa ou outra menção a uma plutocracia (uma sociedade governada pelos ricos), a qual no entanto não me parece a mais exacta. Em rigor, estamos mais numa cleptocracia, assim definida na Wikipédia:

” Cleptocracia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A palavra Cleptocracia, de origem grega, significa literalmente “Estado governado por ladrões”. A cleptocracia ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis e que conseguem transformar esse poder político em valor económico, por diversos modos.

O Estado passa a funcionar como uma máquina de extração de renda ilegal da sociedade, isto é, da população como um todo, em contraposição à máquina de extração de renda legal, o sistema fiscal.

Lamentavelmente. apesar do nosso suposto progresso civilizacional a mioria dos Estados  tendem a tornar-se  “cleptocracias” se não ocorrer um combate real pelos cidadãos, em sociedade. A transição “cleptocrática” do Estado ocorre quando a maior parte de sistema público governamental é capturado por pessoas que praticam corrupção política.  “

Ou seja, um Estado de Direito tem requisitos básicos que deixámos de ter. Até que se recuperem, na AR não se discute política, discutem-se outras coisas.Infelizmente, os sintomas não são de melhoras:

- o PR dá o seu consentimento tácito através desta sua não-atitude perante os problemas, deu-se até ao luxo de ofender os cidadãos com a postura pública  que assumiu perante o artista Dias Loureiro.

- o PS está nas mãos de 25.000 pessoas, o maior mistério da história contemporânea do país. Num partido com 80 ou 90 mil militantes, só 25.000 votam, massivamente,  numa direcção e num sistema em que se acotovelam na bicha para um lugar que lhes permita participar no saque. Os outros 50 ou 60 mil, a maioria, fazem o quê ?

Como é evidente, isto não pode dar bom resultado, trata-se de fórmula que não funciona, nem todos têm lugar, feitio ou estômago para este tipo de atitude e para esta forma de estar na vida.

Qual irá ser o desfecho de tudo isto ?