O mundo neste início de século (XXI)

Já desde há algum tempo que costumo brincar com este processo de integração europeia que nos querem impingir:

- “ Para Portugal, faria mais sentido numa perspectiva de futuro tornar-se uma filial do Brasil ou de Angola, do que entrar para uma CEE que nos pretende limitar a um papel de estancia de férias da Europa e pouco mais “.

Obviamente, isto tem sido dito meio a sério meio a brincar, pois o balanço é e será positivo desde que se governe, incluindo nessa governação a negociação do nosso papel na União Europeia, não numa perspectiva de meninos bem comportados, mas antes de exigência e negociação séria da nossa posição na Europa.

Eis senão quando, é publicado hoje o último relatório do grupo do Biancheri, um think-thank europeu com uma taxa de cerca de 80% de previsões económico-sociais certas nos últimos dois anos.

O 1º paragrafo da introdução começa assim:

Para nós, as alternativas que se apresentam aos dirigentes do G20 na reunião de Londres no próximo dia 2 de Abril são duas: reconstruir um novo sistema monetário internacional que permita um novo jogo global que integre equitativamente  todos os principais agentes mundiais e reduza a crise  uma duração de três a cinco anos; ou tentar prolongar o sistema actual, submergindo o mundo a partir de finais de 2009 numa trágica crise de mais de uma década.

Mais adiante, entre diversos cenários possíveis, refere o seguinte:

“Abril de 2010/Abril de 2014: Maior escassez de alimentos, medicamentos, sobressalentes, energia, … em muitas regiões do mundo / Diminuição de 30% do PIB dos EUA e de 50% do nível de vida, comparado com 2008 / Aumento das matanças colectivas nos Estados Unidos numa conjuntura de desemprego, privações e deterioração de todo o sistema público de saúde, forças de manutenção da ordem, educação, etc. ) / Erosão crescente da fronteira sul do país por efeito da actuação dos cartéis da droga e das reivindicações latinas / Maior risco dum conflito secessionista e tentação militarista omnipresente em Washington / As tropas dos EUA abandonam a Europa: a NATO passa a ser a Aliança Euro-Estadounidense incluindo a Rússia / Guerra civil generalizada na Colômbia / Criação da União Sul-americana por iniciativa do Brasil, Venezuela, Peru e Argentina / Estado de emergência na Rússia para manter a sua integridade territorial, especialmente no sul e leste / Escisão da Ucrânia /Êxodo massivo de refugiados económicos de África para a Europa / Redução de 20% do nível de vida médio na U.E. / Golpes de Estado islâmicos no Paquistão, Marrocos… inclusive nas petro-monarquias/ Israel em plena crise económica ataca as instalações nucleares iranianas / A falta de investimento decorrente das crises regionais, colapso da capacidade de produção mundial de petróleo / Maioria de extrema direita nas eleições europeias de 2014 com o lema « Europa para os europeus » / China, Japão, Coreia do Sul países da ASEAN anunciam a criação da União asiática / Taiwan aceita a sua integração na República Popular da China / A União asiática assina um acordo preferencial com os Estados da costa ocidental dos Estados Unidos”.

Note-se que este cenário se inclui num pacote alternativo a um outro mais construtivo, possível desde que a comunidade internacional acorde medidas comuns sérias para encarar a situação, nomeadamente a implementação faseada duma nova moeda base internacional que substitua o dólar americano.

Se os países teimarem em soluções do tipo “cada um por si”, o cenário acima não é tão catastrofista como pode parecer, é apenas realista.

O tempo vai passando sem medidas sérias, e o prazo para acções conjuntas está a expirar, tudo indica que a última oportunidade vai ser já em Abril na reunião dos chamados G20.

Parece que afinal sempre será de pensar na filial Afro-Sul Americana aqui na pontinha da Europa….

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