Liscont VII – O primeiro dia do resto das nossas vidas

Não gosto de lugares comuns, mas é o que parece aplicar-se á evolução do assunto.

A obra avança, os media calaram-se, e entre Freeport’s (que raio de ironia, encerrada no nome e seu significado) e outros casos passados e por passar nesta nossa cleptocracia, o ónus de recuperar o país pesa cada vez mais sobre os ombros do cidadão comum (o Mário Crespo sózinho não consegue), a apreciar pela ineficácia de procuradores, juízes e outros que tais.

Poderia estender-me com considerações mais ou menos técnicas quanto ao futuro previsível dos mega-navios, no entanto a realidade vai falando por si. São navios cujo sucesso depende de um modelo de planeta que não funciona (” a Europa e os EUA ricos,  a consumir e a comprar tudo o que consomem ao sul e ao extremo oriente, os quais tudo iriam produzindo por uma tuta e meia”), como todos podem ver ao vivo e em directo todos os dias nos variados telejornais que nos entram em casa.

Por esta altura, talvez o director da Liscont já comece a perceber que os clientes dele (os tais do Ask Mr. Mota, invocados para justificar a expansão do terminal) não são os armadores e operadores que operam e encomendaram mega navios, mas sim a indústria e o consumidor ibérico. É básico, trata-se de actividade subsidiária, e fundar decisões desta envergadura em pressupostos tão levianos, não pode dar bom resultado.

Deixo-vos com o primeiro dia do resto das nossas vidas cantado pela Pilar Homem de Melo:

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