Liscont VI – A vingança serve-se fria

Diz o provérbio que a vingança serve-se fria. Confesso que nunca entendi bem o que querem dizer com isso, possivelmente significa que quem se vinga de outrem, na hora de consumar a dita não encontra a satisfação que esperava quando a decidiu. Os estragos e agressões de que somos vitimas geralmente não são reparáveis por essa via, daí a importancia do perdão; sublimam-se as tais agressões de forma mais nobre e talvez com mais eficácia.

Parecem no entanto conceitos de difícil aplicação quando lidamos com assuntos de interesse público, pois aí entramos no campo onde se encontram as actuações e interesses individuais com os interesses da colectividade, da sociedade. Daí o conceito de política como actividade nobre, onde procuramos conciliar o nosso interesse pessoal e visão das coisas com o interesse do colectivo, e daí também a sordidez de muito do que se vê hoje em dia  no nosso país. Num mundo com mais de 6 biliões de pessoas, e no meio desta crise de transição de um modelo económico piramidal com os EUA no topo, para um modelo económico multipolar (processo em curso, cujo desenrolar se irá acelerar em 2009 com o colapso final do dólar e da economia americana), as vinganças são relegadas para 2º plano e outros valores assumem crucial importancia: sensatez, rigor e justiça.

Em resumo, uma vingança pessoal por norma é um acto condenável, a denuncia de actuações danosas para o interesse público é um acto louvável.Vem toda esta filosofia natalícia a propósito da 1ª página do Publico de ontem e do desenvolvimento no seu interior:

Vibora verde, Tailândia

Se não fosse pela víbora, muito possivelmente nem me lembrava desta introdução e muito provavelmente nem terá nada a ver uma coisa com a outra, no entanto trata-se de coincidência que me saltou á vista, e que não deixa de ter a sua piada. E onde anda a vingança ou a justiça no meio de tudo disto ?

É preciso recuar cerca de 10 anos até 1998 e ao período pré EXPO98, onde e quando se desenhou a tomada de poder de quem desde então tem mandado no país, dispersos por mais que um partido. O José Manuel Fernandes, ao que se diz via Mega Ferreira, foi um dos actores que para tal contribuíram, para recentemente se ver achincalhado por aqueles que ajudou a medrar no sistema político português. Estas 3 páginas do Publico são importantes  pois vêm introduzir alguma perspectiva de discussão do interesse público neste processo, ao trazer á colação mais actores e mais argumentos, todos eles importantes e em parte já abordados neste blog. O já referido Prof. J. Viegas fala com razão em elefante branco, embora se equivoque quando reduz o movimento expectável ao nosso mercado, o t/shipment aqui pesa muito dada a nossa posição geográfica. Pelo seu lado, o Alm. Vidal Abreu introduz o tema mais sensato e inteligente, o aproveitamento da Golada.

Fica no entanto a faltar o principal, a análise da conjuntura internacional e das perspectivas que se desenham no transporte marítimo a médio/longo prazo, base de suporte para decisões desta envergadura. São as tais a que o Sr. Frasquilho se refere como “… estudo de conceituados consultores holandeses…”, mas que pessoalmente não me merecem qualquer consideração pois não são conhecidas.

Estudos e consultores há muitos e para todos os gostos, lembra-me sempre o episódio dos auditores ingleses contratados pela Parque EXPO e que quiseram trabalhar com seriedade, colidindo muito rapidamente com as sucessivas administrações que por lá passaram, o que levou ao seu rápido afastamento. No entanto não foram de mãos a abanar: a administração da Parque EXPO foi lesta em pegar no dinheiro do contribuinte e pagar integralmente a esses senhores para se calarem, não fazerem ondas e voltarem para casa no primeiro avião disponível.

Tinha sido um mero equívoco, afinal não era seriedade que procuravam…

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