Liscont III – Onde está um, não está o outro

21/11/2008

Um dos argumentos invocados para a expansão do terminal, em noticia saída no Expresso seria
a incompatibilidade entre a Maersk e a MSC. Salvo erro, escrevia-se qualquer coisa do género:

“Onde está um, não está o outro.”

Desde logo, o contribuinte português não tem nada a ver com isso, mas o que hoje merece comentário é esta notícia, acabada de sair na Cargo:

QT

APM Terminals assume gestão do porto de Ceará

A APM Terminals assumiu a responsabilidade operacional e de gestão para o operador terminal de Ceará (CTO), a estiva e a companhia de terminais de contentores no porto de Pecém, no norte do Brasil. Localizado a 32 milhas da capital do estado de Ceará, Fortaleza, o terminal portuário de Pecém oferece dois ancoradouros de 350 metros e um calado de 16 metros. O terminal dispõe de uma área adjacente de 380 mil metros quadrados que integra dois armazéns, três câmaras frigoríficas e de 624 ligações para contentores refrigerados.

O porto de Pecém é o porto brasileiro mais próximo dos E.U.A., das Caraíbas e da Europa, com um transit time de seis dias para os portos de Nova Iorque e de Algeciras. A CTO estabeleceu-se como um consórcio em Pecém há cinco anos, com vista a capitalizar o vasto potencial da região para exportação de contentores frigoríficos que transportam cargas tais como banana, melão, abacaxi e mangas.

A APM Terminals agora é o accionista maioritário da empresa, com Unilink Transportes Integrados do Brasil que detém a participação minoritária. O terminal oferece serviços de estiva à MSC, à Maersk Line, à Mercosul, à CCL e à Maruba, entre outras companhias marítimas e clientes locais.

UNQT


Em face do que aqui já se escreveu, convém precisar que existe um outro terminal no Nordeste, em Suape, gerido por uma companhia verdadeiramente independente, a ICTSI. O video que se segue faz uma apresentação do porto de Suape:



A diferença de distancia desde Lisboa a um e outro são cerca de 158 milhas, o que não tem praticamente expressão numa viagem desta extensão.


auf wiedersehen…


LISCONT II – 1.200.000 pessoas

16/11/2008

O Manuel Alegre acordou tarde. Embora seja melhor tarde que nunca, a eficácia da acção política não se compadece com hesitações deste calibre. Na própria noite das eleições apressou-se a afirmar publicamente que o resultado não era convertível em poder. Ou seja, a única pessoa que podia aproveitar aquela mobilização (o candidato), retirou o tapete a todos os que deram a cara, trabalho e exposição pública por ele, e acima de tudo, pelos valores que ele dizia (e diz) ir defendendo. Naquela altura teria sido relativamente fácil constituir um novo partido, ou tentar tomar o poder dentro do Partido Socialista. A isso chamar-se-ia política, o que ele fez tem outro nome que não refiro, seria deselegante da minha parte…

Entretanto, tem servido de detergente branqueador do PS. Vai mandando umas bocas e assumindo uma ou outra posição pública, tentando transmitir a seguinte mensagem subliminar ao eleitor:

- Não desespere, se sempre votou PS e agora está na dúvida por causa do descalabro a que assiste, continue a acreditar e a dar-nos o seu voto (ao PS), que eu por cá vou mantendo o pluralismo e a bandeira dos ideais lutando contra os escabrosos interesses instalados dentro do partido.

É mentira, o Manuel Alegre neste momento não risca nada dentro daquela organização, daí o seu papel meramente branqueador.

Instalado numa confortável e abastada vida de deputado, (e partindo do princípio que esteja de boa fé) o Manuel Alegre parece não ter percebido ainda que o combate político actual não está para romantismos. A ver vamos…

Note-se que a referencia acima á boa-fé não pretende ser ofensiva. Se o leitor tiver em conta que nas últimas presidenciais o seu mandatário financeiro foi um ex-administrador da EXPO98, poderá ter uma leitura talvez mais crítica de todo o processo.

O que é que isto tem a ver com o processo da Liscont?

Tem muito, se tiver tempo e pachorra no próximo texto tento fazer a ligação,  fazendo uma incursão pelo Circo Romano e seus gladiadores e talvez de caminho pegando numa apresentação do prof. José Viegas. Agora vou almoçar…


LISCONT I – ” Ask Mr. Mota “

06/11/2008

A discussão sobre o alargamento do Terminal de Alcântara tem sido mal conduzida.

Como se trata de sector marginalizado há já bastante tempo pelo poder político, o grau de ignorância instalado na sociedade civil (e não só) sobre estes assuntos, determinantes num mundo cada vez mais dependente das trocas comerciais entre países, atingiu níveis preocupantes.

Chegou a tal ponto que, esta semana em entrevista na TVI, o próprio presidente do porto de Lisboa se refugiava em argumentos tipo: “é a opinião de conceituados consultores holandeses”, mostrando-se incapaz de argumentar sobre assuntos de lana caprina para quem desempenha um cargo com tal responsabilidade.

Este pretendido alargamento é uma  opção questionável, principalmente pelos riscos que apresenta. O país é demasiado pequeno para ter dois portos tão próximos com capacidade para mega-navios (Sines está a meras 50 milhas de Lisboa) e além disso está em curso uma obra de alargamento do Terminal XXI. Por outro lado, existe ampla capacidade instalada, largamente excedentária, no conjunto dos outros dois portos relevantes, Aveiro e Setúbal. Deverá ainda ter-se em conta que os mega porta-contentores não representam a inevitabilidade futura que muitos levianamente apregoam, por razões fáceis de entender por quem percebe como funciona esta actividade, daí causar aparente estranheza o empenho do porto de Lisboa na defesa desta obra.

O que parece estar por trás de toda esta pressão que se observa por parte do concessionário, são outras ordens de interesses, meramente comerciais: os da MAERSK e outros concorrentes da MSC. Trata-se de  companhias  operadoras globais de transporte contentorizado. Por outro lado a MAERSK é das que menos simpatia colhe no sector. Tem uma filosofia de empresa pouco ortodoxa, e, entre outras coisas criou um operador de terminais (estiva) global que dá pelo nome de APM, presente em várias partes do mundo. Para um leigo isto pode parecer normal, para a comunidade do shipping é exactamente o oposto, na medida em que um operador tem necessariamente acesso a toda a informação relativa à carga dos navios que carrega ou descarrega, e existem muitos portos no mundo onde os concorrentes são obrigados a utilizar os serviços desta operadora, mesmo que não queiram.

Ou seja, num meio altamente competitivo, onde todos os armadores/operadores se vigiam em permanência para conquistarem os clientes dos seus concorrentes, e protegem com unhas e dentes a sua informação comercial, a MAERSK vê a sua tarefa facilitada acedendo à informação da sua empresa estivadora, a APM. É natural que, se lhes for perguntado, negarão a pés juntos, alegando ética ou coisa que o valha (já o ouvi da boca do seu presidente, quando interpelado por um dos presentes na tal reunião da ONU a que faço ref. mais adiante). Esta opinião não é meramente especulativa, tem algum fundamento, decorrente de uma breve conversa numa bicha (fila, para os leitores brasileiros) para um prato de frango que acabou por ser peru. Passo a relatar como do peru nasceu esta leitura:

- Em Dezembro passado fui convidado para uma reunião de peritos na ONU, cujo tema era precisamente a globalização da actividade portuária, onde um dos palestrantes convidados era o presidente da APM, a estivadora da MAERSK. A sua intervenção já me tinha indignado por apresentar alguma falta de honestidade intelectual: entre outras coisas fazia a apologia do transporte contentorizado, cuja performance e economia seria tão grande quando comparado com os restantes segmentos do shipping, que até tinham transportado uns lotes de granel (salvo erro, arroz) para o extremo oriente, tráfego que anteriormente recorria a navios graneleiros.

- Toda a gente (do sector) sabe que isto apenas aconteceu porque o mercado de fretes tem estado sobreaquecido nestes últimos anos, com dois resultados principais: falta de navios, e preços astronómicos. No 3º trimestre de 2007, um navio que custava aos seus armadores cerca de 12.000 dólares/dia valia no mercado cerca de 70.000, o que dá uma ideia do desequilíbrio que se tem vivido. Ou seja, não havendo graneleiros disponíveis, e tratando-se de carga urgente, ajuda alimentar da ONU, foi necessário recorrer ao transporte contentorizado, onde este operador terá participado. Na altura, não comentei, não interrompi a reunião.

- No entanto, parecia estar escrito que o assunto me iria bater à porta. Interrompida a sessão para almoço, fui ao restaurante daquele sector, um enorme self-service, onde me puz na bicha do frango. Quando reparei, tinha à minha frente o presidente da APM com um trader suiço, a quem vendia o mesmo peixe. O suíço era um potencial cliente, negociava na área das energias alternativas, e precisava de transportar alguns graneis.

- Dessa vez não resisti, meti-me na conversa pois já conhecia o suiço, e iniciei uma pequena discussão meio académica, tentando explicar ao trader que aquilo não era bem assim, que o melhor que ele tinha a fazer era ir acompanhando o mercado, pois os fretes dos graneleiros iriam necessariamente voltar a descer e então ele já teria uns preços mais simpáticos, que dificilmente o contentor poderia acompanhar.

- Fiquei com a impressão que o homem da APM, um holandês, não achou muita piada, a julgar pelo sorriso meio amarelo de que me lembro. Entretanto, o frango acabou, e a empregada, uma robusta suíça com ar campestre, anunciou o facto mas acrescentou: “ não desesperem, vai demorar um bocadinho mas temos peru, acabam por ficar mais bem servidos”.

- Esperámos pelo peru, e entretanto, para passar o tempo, vi ali a oportunidade de esclarecer uma dúvida profissional e existencial que me atormentava há já algum tempo: porque raio de carga de água tinha o nosso P.R. recebido pessoalmente o presidente do grupo MAERSK/APM, o Sr. Moller, um respeitável velhote de 90 anos ? Qualquer português mais atento sabe que o Prof. Cavaco Silva é uma pessoa formal e cuidadosa, que mantém um cauteloso distanciamento da actividade económica e da gestão corrente deste tipo de assuntos, principalmente envolvendo interesses comerciais marcados, como é o caso.

- Não perdi a oportunidade, e fiz a pergunta.

- Resposta: “ Ask Mr. Mota “.

Confesso que devo ter ficado com cara de parvo, pois o homem (que repito, era holandês) me perguntou: “ Porque ficou com essa cara, não conhece ? Pensava que toda a gente em Portugal conhecia o Sr. Mota “, ao que eu respondi: “ Sei quem é, mas confesso que não estava à espera desta resposta, daí a minha estupefacção.”

O peru entretanto chegou e a conversa acabou.

Resumindo, para a MAERSK as contas são fáceis de fazer. Com o mapa de Portugal aberto em cima da mesa e alguns indicadores económicos presentes, a região de Lisboa e Vale do Tejo é a que maior densidade populacional e poder de compra concentram. Se juntarmos a isto os constrangimentos de transporte terrestre que Sines ainda apresenta, com a consequente demora e o consequente acréscimo de custo, a conclusão é evidente: conquista vantagem competitiva em relação ao seu maior concorrente.

Enquanto alfacinha, português e profissional nesta área, considero todo este processo questionável, justificando todo este movimento e discussão, a qual deveria ser centrada precisamente nestes aspectos mais técnicos.

Os outros argumentos, invocados pela Roseta e pelo S. Tavares são também meritórios, mas acabam por tornar-se acessórios se a discussão se radicalizar nos termos em que está instalada.


Parabéns Obama, Congratulations, Enhorabuena

05/11/2008

Afinal, apesar da aberração que tem ocupado a Casa Branca nestes últimos anos, parece que os Estados Unidos ainda são uma democracia. A ver vamos, o que se segue…

Obama, o catalisador de muitas esperanças

A origem do nome Barack é africana, significa: abençoado e é uma forma do termo hebraico: baruch.

fonte:http://www.babynames.com/name/BARACK