Obama, o combate decisivo

26/01/2012

É difícil olhar para os EUA sem uma postura de amor/ódio, por razões que a mim me parecem óbvias. No entanto, o que me parece relevante hoje em dia é perceber que o poder das nações se tem gradualmente esbatido em proveito de outras forças que se tem apoderado das mesmas. São autênticos tumores que se estenderam transversalmente pelo planeta atravessando e parasitando a generalidade das economias através da globalização. O erro não está na globalização, está na passividade perante estes sistemas parasitas instalados, com o sistema financeiro no topo da pirâmide. O recente discurso de Obama, de 24 deste mês, merece ser ouvido com atenção, pois parece indicar uma nova atitude, uma nova fase da vida deste homem cujo sucesso poderá vir a influenciar em certa medida a evolução saudável do nosso espaço geopolítico e económico.


CDS – Credit Default Swaps

21/11/2011

Swap é um verbo inglês que se pode traduzir por: trocar. Tendo em conta que aparentemente se trata de um contrato, poderia traduzir-se á letra como ‘Contrato de Seguro de falta de pagamento’ ou ‘Apólice de Seguro de Crédito’ ou ainda ‘ Contrato de permuta de Incumprimento Creditório’.

Esta última designação (permuta) explica-se pelo seu funcionamento: existe um vendedor e um comprador , por  norma o vendedor é um banco ou associação de bancos, e o comprador é a entidade que emprestou dinheiro mas que não quer assumir o risco inerente á concessão de crédito. Como tal, é na realidade um contrato de cobertura de risco de crédito, em que o risco é permutado contra pagamentos periódicos de prémio ou spread. Este termo aqui, parece não fazer muito sentido, mas talvez se explique com a génese do ‘produto’:  os swaps nasceram nos anos 70 do século passado como um acordo para simples trocas financeiras periódicas entre as duas partes signatárias do dito acordo. Em 1981 surgiu o primeiro swap específico para divisas (fonte:’International Investments’, Bruno Solnik, 1989). Os primeiros swaps tinham surgido principalmente para contornar as restrições ou impacto legal e fiscal decorrentes dos tradicionais contratos que poderiam servir para o mesmo fim: empréstimos back to back ou paralelos. É aquilo que em português se vulgarizou como engenharia financeira, e que veio servir ás empresas com investimentos ou  actividade noutros países, para contornar leis e impostos a que os tradicionais contratos de empréstimo iriam obrigar.

Até aqui, tudo mais ou menos…faz parte das regras do jogo económico que as empresas privadas devem respeitar no seu dia-a-dia. No entanto, a negligencia ou má fé do poder político global deixaram a situação descambar.

1) As semelhanças com um contrato de seguro são muitas. Não se percebe então porque não foram as seguradoras a gradualmente assumirem esta actividade.

2) Como instrumento inventado há 40 anos para contornar leis e fugir a impostos, foi catalogado no grupo das chamadas operações OTC (over the counter), cuja característica principal é a sua opacidade. Não estão sujeitas a qualquer regulação ou fiscalização, embora os seus protagonistas sejam os mesmos legalmente autorizados para as operações legais: os bancos. Com tal ‘á vontade’, parecem ter afinado a engenharia financeira de forma a misturarem os swaps com outras coisas mais legais, assim inquinando outros tipos de fundos e aplicações mais saudáveis e não fraudulentas.

3) Chegamos finalmente á razão de ser deste texto: a aplicação deste mecanismo ás dividas soberanas  e especulação com os ditos swaps. A última newsletter do LEAP, de 17 do corrente mês, aborda este assunto nos seguintes termos (tradução livre):

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O perdão parcial da dívida grega ilustra a imensa fraude dos CDS sobre as dividas estatais, obrigando os
Fundos Soberanos a suscitar questões essenciais com carácter de urgência

Os detentores de CDS sabem algo. Pensaram ser muito astutos apostando na bancarrota grega (e amanhã na italiana). Contudo, estão prestes a perder uma fortuna, como George Soros e outros grandes apostadores contra os Estados que ainda acreditam no poder dos mercados financeiros. Na realidade, os CDS’s não se podem activar pelo desconto de 50% da divida pública grega já que os grandes bancos aceitaram voluntariamente o desconto… e também considerando que estes mesmos bancos são os que, numa obscura comissão da International Association of Swaps and Derivatives, determinam se se verificam ou não as condições para activar os CDS por uma ‘falência soberana’.
Contudo, á questão colocada pelos operadores financeiros, « ¿se um desconto de 50% não permite declarar uma situação de falência, então o que será preciso para a declarar ? »,  a resposta do LEAP/E2020 é simples: nada ou quase nada. Na crise actual e devido á dimensão dos países ou entidades envolvidas, no que se refere á crise das dividas públicas, os CDS sobre os riscos soberanos não serão activados porque os mesmos grandes bancos que administram o sistema dos CDS, já são demasiado   dependentes desses Estados ou entidades. Evidentemente, isto demonstra que o mercado dos  CDS sobre os riscos soberanos é uma burla (qualificada) e os próximos meses paulatinamente irão revelar a magnitude dos prejuízos dos operadores financeiros que não tenham percebido que o mundo e as regras de jogo mudaram.

No que diz respeito aos titulares estatais destas dívidas, deverão reflectir rapidamente, nomeadamente chineses, russos, brasileiros, países petrolíferos,… devem acautelar quanto antes esta eventualidade ou preparar-se para sofrer este tipo de descontos inevitáveis. Sofrer estas consequências  será fácil… e doloroso, com uma perda liquida de 30% das suas reservas acumuladas nestes títulos públicos ocidentais. A R. P. China ja não terá que preocupar-se em investir as suas reservas porque estas terão diminuído consideravelmente, o que não deixará de gerar transtornos importantes no país.

Para se perceber este texto é preciso entender que este abandalhamento dado pelos bancos a supostos  instrumentos de gestão de risco, veio permitir a entrada em cena de outros actores que nada tem a ver com as duas partes acima referidas, credor e devedor: os especuladores. Ou seja, em vez de se limitarem a guardar os CDS em carteira e contentar-se com as comissões de gestão e intermediação  dos mesmos, decidiram colocar os mesmos nos mercados de futuros onde terceiros podem, numa sórdida actividade de casino, apostar na bancarrota de países e daí tirar dividendos.

Por outro lado, estas astronómicas taxas de juro que começaram a ser impostas ás dividas soberanas, deveriam mais tarde ou mais cedo ter medrado pelo sistema e vir a ser colocados pelos bancos em fundos de investimento com estas atraentes taxas. O leitor já recebeu alguma carta ou publicidade do seu banco a propor-lhe investir na nossa divida ou na grega aproveitando este excelente retorno ? Não me parece….

Tudo indica tratar-se duma dupla fraude: segundo o LEAP estes contractos não são exequíveis, pelo que vão cobrando por serviços que não podem prestar (fraude) e por outro lado, alegando que os responsáveis são os mercados, (entidade difusa e inimputável) vão impondo taxas de juro leoninas que me cheiram destinar-se principalmente a tapar os buracos financeiros em que se meteram e nos meteram a nós nestes últimos 20 ou 30 anos. Os factos estão aí para o demonstrar: apesar destas opíparas taxas as Bolsas estão desde há meses em queda livre, dinheiro para emprestar não há, novas iniciativas idem aspas, etc.

É a falência de um sistema do qual temos dependido e que se mostra cada vez mais incapaz de desempenhar o seu papel, precisamente quando mais falta faz, o de assegurar o funcionamento equilibrado da raça humana no planeta Terra.


Kennedy, os políticos

17/11/2011

Antes de se verem canibalizados como país, por interesses que nada têm a ver com os americanos enquanto povo e nação , os EUA já foram uma democracia, com um presidente que antes de ser assassinado proferiu este discurso:

Possivelmente foi este o discurso que ditou a sua sorte. Entre outras coisas, Kennedy tinha reservas quanto ao envolvimento dos EUA no Vietname, recusava-se a vender armas nucleares a Israel, etc..

O seu irmão, que com ele governava de facto, também não foi poupado.


O homem do momento

05/11/2011

É assim a vida política no planeta, neste início do milénio e com mais de 7 biliões de pessoas nesta nossa redondinha nave espacial (gosto mais dos biliões que dos milhares de milhão): enquanto a imagem de uns como o Obama se vai esfumando na incapacidade de fazer a diferença (dentro do seu estilo, cada vez se parece mais com o Pinto de Sousa, só faltam mesmo os 350 milhões de euros…), outros afirmam-se como verdadeiros políticos. Refiro-me ao Papandreou, senhor grego que a passada semana  nos lembrou, a nós europeus, o que é a democracia.

A intoxicação informativa de que somos vitimas hoje em dia por parte dos nossos media, alinhados com um moribundo sistema de poder transnacional, já tentou adulterar as verdadeiras razões pelas quais terá sugerido um referendo. A minha fugaz experiência política, no entanto, ensinou-me uma coisa: nestas situações, geralmente as primeiras noticias são as verdadeiras (alguém terá em tempos dito: em política, o que parece, é…). E uma das primeiras noticias que para mim mais sentido fez foi precisamente a das mexidas nas chefias militares na Grécia, indiciando um possível golpe de Estado. Num cenário destes, que faria o leitor se estivesse na pele do Papandreou ?

Eu faria exactamente o mesmo, recorrer ao povo, base última de sustentação do poder numa democracia. O referendo é precisamente isso: a responsabilização de todos perante uma decisão importante e que a todos afecta. Depois de anunciado o referendo, se o golpe de Estado avançasse, o visado já não era apenas um primeiro ministro e o seu governo, seriam todos os gregos pois já estavam convocados para se pronunciar, esvaziando de legitimidade as pretensas bases de sustentação de um golpe de estado militar. Por alguma razão foi a Grécia o berço da democracia.

É caso para dizer, no estado a que as coisas chegaram, deveríamos estar em referendo permanente.

Trata-se de ideia aparentemente utópica há meia dúzia de anos atrás, no entanto hoje em dia é tecnicamente possível, andamos sempre todos ligados em permanência, pelo que será uma alternativa a ter em conta na forma de fazer política. Em vez de receber um sms duma amiga a convidar para jantar fora, imagine o leitor que recebe a mensagem duma Central de Gestão de decisões políticas a perguntar: ‘ Vota-se daqui a uma hora no Parlamento Europeu a constituição da Federação Estados Unidos da Europa. Prima 1 para votar: sim, 2 para votar em branco, e 3 para votar: não.’


Isaltinadas

01/10/2011

Esta pantomina do Isaltino é apenas uma das formas de expressão da cleptocracia em que vivemos.

Portugal deixou de ser (esperemos que temporariamente) um estado de direito; fomos desgraduados por comportamentos tipo ‘Isaltino’, cujo único pecado dentro de PSD foi na altura ser ‘plebeu’, outros como T.M. ou C. C. ou M.J. tiveram comportamentos muito mais aviltantes no plano político-criminal e nunca se viu ou ouviu a respectiva autocrítica, expulsão ou condenação pública por parte do partido. Por mais revoltante que nos possa parecer, prender o Isaltino e deixar todos os outros intocados acaba por ser uma ‘injustiça’.

O caso Isaltino apenas atingiu esta projecção pela sua atitude de revolta de plebeu que se viu rejeitado pela nobreza do partido. Foi na altura convidado por outro plebeu/híbrido (Durão) para ministro, o que abriu a porta para esta vingança pública por parte da nobreza decrépita e cleptocrática do chamado ‘centrão’,  que descambou na situação que se conhece.

O que se passa hoje é que as figuras do estado e do sistema judiciário obrigadas a assumir posição pública perante este caso, são cobardes sem a necessária coragem ou integridade moral para reconhecerem estes simples factos publicamente e admitirem perante os cidadãos esta ignóbil trapalhada, dos recursos sobre recursos com efeitos suspensivos (um criminoso é aquele que comete um crime, não alguém condenado e com sentença transitada em julgado, é bom recordar…).

Estas coisas são muito simples de entender: um arguido, depois de ouvir uma sentença condenatória, seja em que instância for, deve seguir directamente da sala de audiências para a prisão. Esta excepção que aqui inventaram do ‘efeito suspensivo’ é, acima de tudo, uma ofensa para todo o sistema judiciário a jusante (PJ, procuradores, etc.), e para os outros dez milhões de cidadãos que pagam os ordenados destes últimos,  pois ninguém é acusado de animo leve; tem que haver muita e consistente matéria para que o MP se atreva a acusar, apesar da ligeireza com que por vezes conduz certos processos.

E assim vamos, de isaltinada em isaltinada até ao descalabro final…

Note-se que este texto não pretende ser uma justificação para a libertação do homem do charuto, antes pelo contrário, pretende apenas lembrar que muitos mais se lhe deveriam juntar nos calabouços da PJ.

Para ajudar á festa, e a fazer fé no DN de hoje, o vice do C.S.M. parece que vai determinar a abertura de um inquérito para saber porque prenderam o homem, se calhar quer instaurar um qualquer procedimento disciplinar ao ‘atrevimento’ da juíza do Tribunal de Oeiras. (porque não será o presidente do CSM a tomar uma atitude, será que se sente ainda muito comprometido pela sua intervenção no procº C.Pia ?).


Evidencias

24/09/2011

Finalmente, uma das evidencias que comento há anos, conseguiu medrar através da aparente ignorância ou indiferença dos nossos media, e chegar a noticia de jornal diário.  Pela boca do ex-director duma construtora, saiu o seguinte comentário:

EX-CEO DA SOARES DA COSTA

‘Se construtores rebentarem, rebentam nas mãos dos bancos’

Era evidente para quem se detivesse a pensar dois minutos no tema. Ou seja, a próxima noticia de primeira página deveria ser um quadro-resumo dos financiamentos que a banca tem em curso em Portugal, devidamente separados e quantificados por sector de actividade. Perante essa informação teríamos a exacta medida da competência (ou nem por isso) da banca nacional. Qual a percentagem de fundos/recursos a financiar o transporte marítimo ?

Ro/Ro

Será oportuno relembrar que a banca não existe para fazer dinheiro, mas sim para suporte á economia, que tem obviamente sectores básicos muito mais importantes que o mero consumo dos cidadãos ou a construção de imóveis.


” Our mood “

27/07/2011

Fica aqui o vídeo, não precisa de comentário, basta apreciar.

 


Mais vale tarde que nunca

07/07/2011

Numa pesquisa sobre outro assunto, dei de caras (no monitor, entenda-se) com o relatório do Tribunal de Contas sobre a concessão do Terminal XXI. Como já tinha escrito sobre este assunto, em 2/12/2008, para ser mais exacto, devo aqui fazer esta referencia e facilitar o documento aos interessados. De notar que este relatório, de concessão outorgada em 1999, foi disponibilizado pelo T.C. em Outubro de 2010, daí o título desta entrada no blog.

clicar para descarregar

Para descarregar o documento basta clicar na imagem ou ir ao site do Tribunal de Contas.


Aurora, a Argentina aqui tão perto

06/07/2011

Chegou no passado domingo a Cascais, e merece esta pequena homenagem.

da Argentina a Portugal em solitário.

De seu nome Aurora Canessa, esta argentina venceu o Atlântico sozinha a bordo dum veleiro sloop de 10 metros, o “Shipping”. Quem quiser ver pormenores da viagem, siga este link.

A foto acima foi tirada no Faial, na escala que fez nos Açores. Bem vinda !!!


O asteróide 2011MD

26/06/2011

Já vi escrito que teria o tamanho de um prédio, outros apontam uma estimativa mais cautelosa: entre 9 e 40 metros, aproximadamente. Estou  a falar do calhau que se vai aproximar do nosso planeta amanhã, passar sobre o pólo sul e mais ou menos por aí ver a sua órbita alterada pelo nosso campo magnético, corrigindo a rota para outros confins do sistema solar. Clicando na imagem pode ver-se uma simulação feita por um astrónomo, Pasquale Tricarico, onde nos podemos imaginar a cavalo no nariz do asteróide e viver por breves momentos a sua viagem na aproximação á Terra, passando pelo meio dos satélites GPS que temos espalhados á volta do planeta.

As horas, indicadas em TDT, uma norma usada nestas coisas astronómicas, correspondem com uma ligeira diferença a GMT/UTC/Zulu, quem quiser converter com rigor pode clicar aqui.


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