Intervalo

24/06/2009

Se olharmos para um blog como um filme, com principio, meio e fim, então tambem tem direito a um ou outro intervalo para o publico descansar. O intervalo hoje é preenchido com anúncios culturais, sendo o primeiro sobre a exposição da Rosa, uma portuguesa de 22 anos com trabalhos expostos em Cascais até 5 de Julho:

Centro Cultural de Cascais

e o segundo é duma catalã de 52 anos, a Sabala.
São estilos diferentes mas têm em comum a visão crítica do ser humano,
a julgar pela forma como nos retratam e que a mim me diverte qb:

Sabala


Drama ou Tragédia

09/04/2009

Acerca da actual crise, li algures recentemente que a maior dificuldade seria percebermos se estamos a viver um drama ou uma tragédia. Elucidava-nos o autor quanto á diferença entre as duas situações: no drama, os actores ainda são senhores do seu destino, podem através de acções e atitudes alterar o desfecho das coisas. Na tragédia, já não. Os personagens assistem impotentes ao desenrolar dos eventos que os vão conduzindo ao descalabro final.

Há meia dúzia de maduros que ainda acreditam que se trata apenas de um drama, e, entre outras coisas, dedicam-se a isto, escrever umas coisas nuns blogs.

Como tal, seja drama ou tragedia, o melhor é tentar levar as coisas com boa disposição apesar da seriedade das mesmas. Para isso, fica aqui uma explicação de alto nível de dois peritos ingleses explicando como se chegou á actual crise financeira:

O drama, para já, é perceber que estes dois comediantes têm razão, o que reduz os actuais banqueiros e políticos que sancionam o seu comportamento  á sua verdadeira dimensão: a de comediantes e pantomineiros.


Modelos de sociedade

07/04/2009

Recentemente, começaram timidamente a surgir referências nos media á raiz do verdadeiro problema de Portugal hoje em dia, o qual pura e simplesmente reside na “desgraduação” social de que fomos e continuamos a ser alvo: na actualidade, dificilmente se pode considerar a Republica Portuguesa um Estado de Direito. Daí, assistirmos a esta coisa fantástica em que que toda a gente deve já ter reparado: a cada vez mais frequente concordância de posições em temas específicos entre o CDS e o PC, por ex. ou entre o BE e o PPD, o que aparentemente é contraditório.

As tais referências a que me reporto acima consistem numa ou outra menção a uma plutocracia (uma sociedade governada pelos ricos), a qual no entanto não me parece a mais exacta. Em rigor, estamos mais numa cleptocracia, assim definida na Wikipédia:

” Cleptocracia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A palavra Cleptocracia, de origem grega, significa literalmente “Estado governado por ladrões”. A cleptocracia ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis e que conseguem transformar esse poder político em valor económico, por diversos modos.

O Estado passa a funcionar como uma máquina de extração de renda ilegal da sociedade, isto é, da população como um todo, em contraposição à máquina de extração de renda legal, o sistema fiscal.

Lamentavelmente. apesar do nosso suposto progresso civilizacional a mioria dos Estados  tendem a tornar-se  “cleptocracias” se não ocorrer um combate real pelos cidadãos, em sociedade. A transição “cleptocrática” do Estado ocorre quando a maior parte de sistema público governamental é capturado por pessoas que praticam corrupção política.  “

Ou seja, um Estado de Direito tem requisitos básicos que deixámos de ter. Até que se recuperem, na AR não se discute política, discutem-se outras coisas.Infelizmente, os sintomas não são de melhoras:

- o PR dá o seu consentimento tácito através desta sua não-atitude perante os problemas, deu-se até ao luxo de ofender os cidadãos com a postura pública  que assumiu perante o artista Dias Loureiro.

- o PS está nas mãos de 25.000 pessoas, o maior mistério da história contemporânea do país. Num partido com 80 ou 90 mil militantes, só 25.000 votam, massivamente,  numa direcção e num sistema em que se acotovelam na bicha para um lugar que lhes permita participar no saque. Os outros 50 ou 60 mil, a maioria, fazem o quê ?

Como é evidente, isto não pode dar bom resultado, trata-se de fórmula que não funciona, nem todos têm lugar, feitio ou estômago para este tipo de atitude e para esta forma de estar na vida.

Qual irá ser o desfecho de tudo isto ?


Carta aberta do LEAP ao G20

25/03/2009

Na próxima semana reúnem-se em Londres os lideres do G20, numa Cimeira que deverá tomar decisões importantes. Dada a gravidade da situação, o LEAP (Frank Biancheri e a sua equipa) decidiram apresentar uma carta aberta, de que se transcreve aqui uma tradução para português:

QT

Minhas senhoras e meus senhores,

Resta-vos menos de um semestre para evitar que o planeta mergulhe numa crise, da qual levará mais de um decénio a sair, com um terrível cortejo de desgraças e de sofrimento. Esta carta aberta do LEAP/E2020, o qual desde Fevereiro de 2006 tinha anunciado a iminência duma « crise sistémica global», pretende dar-vos uma indicação resumida das razões pelas quais isto está a acontecer e como evitar esta sequência de acontecimentos.

Com efeito, se foi há menos de um ano que V. Exas. começaram a desconfiar da amplitude da crise, foi desde Fevereiro de 2006, no 2º número da sua newsletter « Global Europe Anticipation Bulletin » (GEAB), que o LEAP/E2020 anunciou que o mundo entrava na « fase de desencadeamento » duma crise de amplitude histórica. Desde esta data, o LEAP/E2020 continuou a antecipar mensalmente, de forma bastante fiável, os aspectos de evolução da crise com que o mundo actualmente se confronta. É isto que nos leva a escrever-vos esta carta aberta, que esperamos possa contribuir para iluminar as escolhas que terão que ser feitas por esse grupo de responsáveis daqui a poucos dias.

E a crise agrava-se de forma perigosa. Recentemente, quando saiu a 32ª edição do nosso boletim, o LEAP/E2020 lançou um alerta muito importante, que vos diz directamente respeito, enquanto dirigentes do G20: se, na vossa reunião em Londres no próximo dia 2 de Abril, não forem capazes de adoptar decisões audaciosas e inovadoras concentrando-vos no essencial, e empreender a sua implementação até ao Verão de 2009, então por volta do final do ano a crise entrará na sua fase de « deslocalização geopolítica generalizada », a qual afectará tanto o sistema internacional como a própria estrutura das grandes entidades políticas como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou a própria União Europeia. Numa tal circunstancia, vocês perderão qualquer controle sobre a situação, para desgraça de mais de seis biliões de habitantes do nosso planeta.

A vossa escolha:

- uma crise de 3 a 5 anos ou uma crise de mais de uma década ?

Infelizmente, como até á data nada vos preparou para enfrentar uma crise de tal dimensão histórica, V. Exas. ocuparam-se apenas dos sintomas ou das causas secundárias. Pensaram que seria suficiente adicionar gasolina ou um pouco mais de óleo ao motor mundial, sem se darem conta que o dito motor estava simplesmente gripado, sem esperança de reparação. O que faz falta é construir um novo motor. E o tempo urge, pois a cada mês que passa, o conjunto do sistema internacional deteriora-se um pouco mais.

Como em qualquer crise maior, é necessário intervir no essencial. Como em qualquer crise de dimensão histórica, a única escolha reside entre tomar rapidamente medidas radicais de mudança para encurtar significativamente a sua duração e as suas consequências trágicas; ou, em alternativa, recusar as mudanças radicais tentando salvaguardar o que existe, apenas conseguindo prolongar a sua duração e as suas consequências negativas. Em Londres, no próximo 2 de Abril, terão a oportunidade de escolher entre uma resolução da crise em 3 a 5 anos de forma organizada; ou, ao contrário, arrastar o planeta para uma década terrível.

Como tal, metemos o nosso empenho em apresentar três conselhos que consideramos estratégicos, ou seja, que o LEAP/E2020 entende que se não forem postos em prática até ao próximo Verão, a deslocalização geopolítica mundial tornar-se-á inevitável a partir do final deste ano.

OS 3 CONSELHOS DO LEAP/E2020

1. A chave da crise, é a criação de uma nova divisa internacional de referencia !

O primeiro conselho resume-se a uma ideia muito simples : a chave da crise actual está na reforma do sistema monetário internacional, herdado da situação pós guerra de 1945, cuja finalidade era criar uma nova divisa internacional de referencia. O Dólar americano e a economia dos Estados Unidos já não apresentam condições para serem os pilares da ordem económica, financeira e monetária mundial. Enquanto este problema estratégico não for directamente abordado, e consequentemente tratado, a crise ir-se-á aprofundando, pois é o que está na raíz das crises dos produtos financeiros derivados, dos bancos, dos preços da energia, … e das suas consequências em termos de desemprego massivo e do abaixamento dos níveis de vida. É portanto vital que esta questão seja o objeto principal da Cimeira do G20 de Londres e que os primeiros dados para a solução aí sejam lançados. Por outro lado, a solução para este problema é sobejamente conhecida: trata-se de criar uma divisa de referencia internacional (que se poderia chamar o « Global ») fundada num painel de moedas que correspondem as principais economias do planeta, a saber :

o Dolar EUA, o Euro, o Yen, o Yuan, o Khaleel (moeda comum dos estados pétroliferos du Golfo, a ser lançada no 1° Janeiro de 2010), o Rublo, o Real, … . e estabelecer a gestão desta divisa por um « Instituto Monetário Mundial », cujo Conselho de Administração reflicta os pesos respectivos das moedas integrantes do « Global ». Vocês deverão solicitar ao FMI e aos bancos centrais envolvidos no processo que preparem um tal plano para Junho de 2009, com o objectivo de ser posto em prática no 1° Janeiro de 2010. É o único meio de que dispõe para retomarem a iniciativa sobre o desenrolar da crise. E é o único meio de concretizar a implementação duma globalização partilhada, partilhando a moeda no coração de toda a actividade económica e financeira.

De acordo com o LEAP/E2020, se uma tal alternativa ao sistema actual em pleno colapso, não for iniciada até ao próximo Verão, demonstrando a existência duma via alternativa ao « cada um por si », o actual sistema monetário internacional não passará do Verão. E mesmo que alguns Estados do G20 pensem que vale mais defender ao máximo a extensão temporal dos privilégios que lhes são conferidos pelo actual “statu quo”, deveriam meditar no poder que ainda detêm de influenciar de forma decisiva o modelo que assumirá este novo sistema monetário mundial. O reverso da medalha será que, uma vez iniciada a fase de deslocalização geopolítica, estes Estados perderão qualquer controle sobre o processo.

Controlem o conjunto dos bancos com a máxima urgência!

O segundo conselho, foi já amplamente referido nas reuniões preparatórias da Cimeira. Como tal, seria avisado adoptá-lo. Trata-se de implementar até ao fim do ano um sistema de controle dos bancos à escala mundial, que elimine todos os « buracos negros ». Várias opções foram já propostas por diversos peritos. Separem desde já o que se mostrar necessário. Nacionalizem rapidamente quando tal for indispensável ! Será a única forma de acautelar um novo endividamento massivo dos estabelecimentos financeiros, como aquele que contribuiu para a actual crise; e de mostrar ás opiniões publicas que vocês são credíveis quando confrontados com os banqueiros.

3. Promovam com urgência uma avaliação pelo FMI dos sistemas financeiros dos EUA, britânico e suíço !

O terceiro conselho toca de novo numa questão de grande sensibilidade política, a qual é contudo incontornável. É indispensável que o FMI apresente ao G20, o mais tardar em Julho 2009, uma avaliação independente dos três sistemas financeiros nacionais que estão na origem da crise financeira : os dos Estados-Unidos, do Reino-Unido e o Suiço. Nenhuma solução duradoira poderá ter eficácia enquanto não se tiver uma ideia precisa dos estragos causados pela crise nestes três pilares do sistema financeiro mundial. Por outro lado, há já muito que passou o tempo de tratar com cerimónia países que estão na raiz do caos do actual sistema financeiro.

Escrevam um comunicado simples e breve!

Para terminar, queremos apenas lembrar que V.Exas. têm neste momento que restaurar a confiança de cerca de 6 biliões de pessoas, e de dezenas de milhões de instituições publicas e privadas. Como tal, não se esqueçam de redigir um comunicado curto, que não passe de duas páginas, que não inclua mais que três ou quatro ideias centrais e que seja acessível a leigos. Se assim não for, não será lido fora do reduzido circulo de especialistas, e como tal não poderão vcs. ressuscitar a confiança da maioria, condenando assim a crise a agravar-se. Se esta carta aberta contribuir para uma tomada de consciência da vossa parte no sentido de entenderem que a Historia vos julgará pelos vossos actos e omissões na Cimeira, então ela não terá sido em vão. Saibam simplesmente, que no entender do LEAP/E2020, os vossos respectivos povos não esperarão mais de um ano para vos julgar. Uma coisa é no entanto certa : desta vez não poderão alegar que não foram avisados com antecedência !

Franck Biancheri
Director de Estudos do LEAP/E2020
Presidente de Newropeans

UNQT

exceptuando alguns, que são mesmo malandros, há líderes mundiais que fazem lembrar o noivo deste videoclip (pela atitude, não pela pinta, entenda-se…):



O mundo neste início de século (XXI)

17/03/2009

Já desde há algum tempo que costumo brincar com este processo de integração europeia que nos querem impingir:

- “ Para Portugal, faria mais sentido numa perspectiva de futuro tornar-se uma filial do Brasil ou de Angola, do que entrar para uma CEE que nos pretende limitar a um papel de estancia de férias da Europa e pouco mais “.

Obviamente, isto tem sido dito meio a sério meio a brincar, pois o balanço é e será positivo desde que se governe, incluindo nessa governação a negociação do nosso papel na União Europeia, não numa perspectiva de meninos bem comportados, mas antes de exigência e negociação séria da nossa posição na Europa.

Eis senão quando, é publicado hoje o último relatório do grupo do Biancheri, um think-thank europeu com uma taxa de cerca de 80% de previsões económico-sociais certas nos últimos dois anos.

O 1º paragrafo da introdução começa assim:

Para nós, as alternativas que se apresentam aos dirigentes do G20 na reunião de Londres no próximo dia 2 de Abril são duas: reconstruir um novo sistema monetário internacional que permita um novo jogo global que integre equitativamente  todos os principais agentes mundiais e reduza a crise  uma duração de três a cinco anos; ou tentar prolongar o sistema actual, submergindo o mundo a partir de finais de 2009 numa trágica crise de mais de uma década.

Mais adiante, entre diversos cenários possíveis, refere o seguinte:

“Abril de 2010/Abril de 2014: Maior escassez de alimentos, medicamentos, sobressalentes, energia, … em muitas regiões do mundo / Diminuição de 30% do PIB dos EUA e de 50% do nível de vida, comparado com 2008 / Aumento das matanças colectivas nos Estados Unidos numa conjuntura de desemprego, privações e deterioração de todo o sistema público de saúde, forças de manutenção da ordem, educação, etc. ) / Erosão crescente da fronteira sul do país por efeito da actuação dos cartéis da droga e das reivindicações latinas / Maior risco dum conflito secessionista e tentação militarista omnipresente em Washington / As tropas dos EUA abandonam a Europa: a NATO passa a ser a Aliança Euro-Estadounidense incluindo a Rússia / Guerra civil generalizada na Colômbia / Criação da União Sul-americana por iniciativa do Brasil, Venezuela, Peru e Argentina / Estado de emergência na Rússia para manter a sua integridade territorial, especialmente no sul e leste / Escisão da Ucrânia /Êxodo massivo de refugiados económicos de África para a Europa / Redução de 20% do nível de vida médio na U.E. / Golpes de Estado islâmicos no Paquistão, Marrocos… inclusive nas petro-monarquias/ Israel em plena crise económica ataca as instalações nucleares iranianas / A falta de investimento decorrente das crises regionais, colapso da capacidade de produção mundial de petróleo / Maioria de extrema direita nas eleições europeias de 2014 com o lema « Europa para os europeus » / China, Japão, Coreia do Sul países da ASEAN anunciam a criação da União asiática / Taiwan aceita a sua integração na República Popular da China / A União asiática assina um acordo preferencial com os Estados da costa ocidental dos Estados Unidos”.

Note-se que este cenário se inclui num pacote alternativo a um outro mais construtivo, possível desde que a comunidade internacional acorde medidas comuns sérias para encarar a situação, nomeadamente a implementação faseada duma nova moeda base internacional que substitua o dólar americano.

Se os países teimarem em soluções do tipo “cada um por si”, o cenário acima não é tão catastrofista como pode parecer, é apenas realista.

O tempo vai passando sem medidas sérias, e o prazo para acções conjuntas está a expirar, tudo indica que a última oportunidade vai ser já em Abril na reunião dos chamados G20.

Parece que afinal sempre será de pensar na filial Afro-Sul Americana aqui na pontinha da Europa….


LISCONT – Cronica final decorridos 84 dias

09/02/2009

Cumprem-se hoje 84 dias desde o Prós & Contras onde se proferiram muitas e mais ou menos bombásticas afirmações sobre o assunto.

Para quem não viu, aqui fica o link (a RTP ainda não funciona como o Google, não deu para inserir o vídeo):

http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/pros-contras/?1-parte-do-programa-de-2008-11-17.rtp&post=4962

O DN de hoje traz um resumido mas significativo artigo sobre o assunto, cujo link é este.

Muito se poderia comentar sobre o que foi dito na RTP em Novembro passado, mas digno de destaque mesmo é o contorcionismo que o presidente da APL já começou a ensaiar, ao fazer uma primeira referencia pública (ver este artigo) á alternativa da Trafaria, um verdadeiro 3 em 1 e que, esse sim, merece um esforço colectivo.

Não é demais lembrar que alem da expansão portuária que tal obra (o fecho da Golada) permite, subsiste uma vantagem primordial: protege de vez a costa da Caparica, suas populações e equipamentos ribeirinhos, públicos e privados, acabando com esta gestão danosa meio imbecil que consiste em afretar dragas para aí depositarem areia retirada de outros locais, a qual o mar se encarrega de paulatinamente ir retirando.


Liscont VII – O primeiro dia do resto das nossas vidas

28/01/2009

Não gosto de lugares comuns, mas é o que parece aplicar-se á evolução do assunto.

A obra avança, os media calaram-se, e entre Freeport’s (que raio de ironia, encerrada no nome e seu significado) e outros casos passados e por passar nesta nossa cleptocracia, o ónus de recuperar o país pesa cada vez mais sobre os ombros do cidadão comum (o Mário Crespo sózinho não consegue), a apreciar pela ineficácia de procuradores, juízes e outros que tais.

Poderia estender-me com considerações mais ou menos técnicas quanto ao futuro previsível dos mega-navios, no entanto a realidade vai falando por si. São navios cujo sucesso depende de um modelo de planeta que não funciona (” a Europa e os EUA ricos,  a consumir e a comprar tudo o que consomem ao sul e ao extremo oriente, os quais tudo iriam produzindo por uma tuta e meia”), como todos podem ver ao vivo e em directo todos os dias nos variados telejornais que nos entram em casa.

Por esta altura, talvez o director da Liscont já comece a perceber que os clientes dele (os tais do Ask Mr. Mota, invocados para justificar a expansão do terminal) não são os armadores e operadores que operam e encomendaram mega navios, mas sim a indústria e o consumidor ibérico. É básico, trata-se de actividade subsidiária, e fundar decisões desta envergadura em pressupostos tão levianos, não pode dar bom resultado.

Deixo-vos com o primeiro dia do resto das nossas vidas cantado pela Pilar Homem de Melo:


Liscont VI – A vingança serve-se fria

19/12/2008

Diz o provérbio que a vingança serve-se fria. Confesso que nunca entendi bem o que querem dizer com isso, possivelmente significa que quem se vinga de outrem, na hora de consumar a dita não encontra a satisfação que esperava quando a decidiu. Os estragos e agressões de que somos vitimas geralmente não são reparáveis por essa via, daí a importancia do perdão; sublimam-se as tais agressões de forma mais nobre e talvez com mais eficácia.

Parecem no entanto conceitos de difícil aplicação quando lidamos com assuntos de interesse público, pois aí entramos no campo onde se encontram as actuações e interesses individuais com os interesses da colectividade, da sociedade. Daí o conceito de política como actividade nobre, onde procuramos conciliar o nosso interesse pessoal e visão das coisas com o interesse do colectivo, e daí também a sordidez de muito do que se vê hoje em dia  no nosso país. Num mundo com mais de 6 biliões de pessoas, e no meio desta crise de transição de um modelo económico piramidal com os EUA no topo, para um modelo económico multipolar (processo em curso, cujo desenrolar se irá acelerar em 2009 com o colapso final do dólar e da economia americana), as vinganças são relegadas para 2º plano e outros valores assumem crucial importancia: sensatez, rigor e justiça.

Em resumo, uma vingança pessoal por norma é um acto condenável, a denuncia de actuações danosas para o interesse público é um acto louvável.Vem toda esta filosofia natalícia a propósito da 1ª página do Publico de ontem e do desenvolvimento no seu interior:

Vibora verde, Tailândia

Se não fosse pela víbora, muito possivelmente nem me lembrava desta introdução e muito provavelmente nem terá nada a ver uma coisa com a outra, no entanto trata-se de coincidência que me saltou á vista, e que não deixa de ter a sua piada. E onde anda a vingança ou a justiça no meio de tudo disto ?

É preciso recuar cerca de 10 anos até 1998 e ao período pré EXPO98, onde e quando se desenhou a tomada de poder de quem desde então tem mandado no país, dispersos por mais que um partido. O José Manuel Fernandes, ao que se diz via Mega Ferreira, foi um dos actores que para tal contribuíram, para recentemente se ver achincalhado por aqueles que ajudou a medrar no sistema político português. Estas 3 páginas do Publico são importantes  pois vêm introduzir alguma perspectiva de discussão do interesse público neste processo, ao trazer á colação mais actores e mais argumentos, todos eles importantes e em parte já abordados neste blog. O já referido Prof. J. Viegas fala com razão em elefante branco, embora se equivoque quando reduz o movimento expectável ao nosso mercado, o t/shipment aqui pesa muito dada a nossa posição geográfica. Pelo seu lado, o Alm. Vidal Abreu introduz o tema mais sensato e inteligente, o aproveitamento da Golada.

Fica no entanto a faltar o principal, a análise da conjuntura internacional e das perspectivas que se desenham no transporte marítimo a médio/longo prazo, base de suporte para decisões desta envergadura. São as tais a que o Sr. Frasquilho se refere como “… estudo de conceituados consultores holandeses…”, mas que pessoalmente não me merecem qualquer consideração pois não são conhecidas.

Estudos e consultores há muitos e para todos os gostos, lembra-me sempre o episódio dos auditores ingleses contratados pela Parque EXPO e que quiseram trabalhar com seriedade, colidindo muito rapidamente com as sucessivas administrações que por lá passaram, o que levou ao seu rápido afastamento. No entanto não foram de mãos a abanar: a administração da Parque EXPO foi lesta em pegar no dinheiro do contribuinte e pagar integralmente a esses senhores para se calarem, não fazerem ondas e voltarem para casa no primeiro avião disponível.

Tinha sido um mero equívoco, afinal não era seriedade que procuravam…


Desenvolvimento sustentável

08/12/2008

Apesar de actualmente ser encarado como indústria autónoma, o transporte marítimo é uma industria subsidiária, pois apenas presta um serviço derivado de outras procuras, a procura que se verifica nas verdadeiras indústrias autónomas.

Se não houver procura de produtos e matérias primas, lógicamente não há transporte. Existem ainda outras condicionantes, nomeadamente na area do direito, que relegam o shipping para um plano inferior ou secundário quando toca a analisar as coisas como elas são.

Isto é básico, mas chocantemente parece arredado do pensamento de muitos que têm responsabilidades governativas, seja de países e povos, seja de simples empresas.

Nesta linha de preocupação, fica aqui um vídeo de gente idealista mas  lúcida,  com as ideias arrumadas:


Liscont V – Ditadura ou cleptocracia ?

07/12/2008

Quem vai detendo o poder no nosso país, mostrou mais uma vez na passada sexta feira a sua verdadeira face. Alguma razão que pudesse assistir ao Porto de Lisboa nesta disputa (não necessariamente em Alcântara) foi minada pela votação na Assembleia da Republica. E digo alguma razão, porque esta discussão Sines/Lisboa seriamente conduzida, iria inevitavelmente conduzir a varias outras, uma das quais a seguinte: para quando o fecho da Golada, resolvendo o problema do assoreamento da barra e criando um terrapleno mais que apropriado para um terminal de contentores decente na Trafaria ?  Afinal parece que nem os gladiadores nos safam, o medo e a arrogância do pseudo PS que tudo decide e tudo pretende impingir desta forma ao contribuinte, fizeram com que a votação fosse agendada depressa e em força para desencadear um processo que conduza a um facto consumado. Afinal, apesar das bocas que por aí correm resta-nos esperar que o MST não esmoreça, fica aqui uma passagem do seu texto de ontem no Expresso:

mst_exp06xii08

Para quem não sabe, a Golada é a cadeia dunar que existia entre a Trafaria e o Bugio, e que tinha um papel importantíssimo, tanto de regularização da profundidade na barra, como de protecção da costa entre a Trafaria e o Cabo Espichel. Entre outras coisas, esta opção arrisca-se a gerar um elefante branco parasita do Estado (a avaliar pelos termos do contrato) e, depois do dinheiro gasto em Alcântara, só nos falta tentarem impor-nos mais um mega-orçamento para fechar a Golada. É importante sublinhar que a Golada desapareceu por intervenção humana, pela utilização abusiva daquelas areias que constituíam uma protecção natural costeira e do interior do porto.

A resposta á interrogação expressa no título desta entrada, fica ao gosto de cada um.

Sugiro que comecem por fazer uma pesquisa, na rede ou em dicionários e enciclopédias, com os vocábulos ditadura e cleptocracia, contrastem os resultados com a realidade que se observa em Portugal  e tirem as vossas conclusões.

Pessoalmente, ainda estou hesitante; talvez não seja nenhuma das duas, talvez se trate das duas em simultâneo, ou, possivelmente, uma cleptocracia com aspirações a ditadura.

Um estado de direito é que não é concerteza…

Mais um vídeo, embora seja da Expo, tem mais paralelos com esta situação do que pode parecer á primeira vista: